Na época de estudante na UMC – Engenharia em Mogi das Cruzes, passava o dia inteiro na Universidade. Já casado, e tendo o primeiro filho, cheguei em casa por volta das 17h. Como tinha assistência técnica autorizada em equipamentos de som e minha esposa é que os recebia e entregava, mas naquela semana, só tinham entrado e saído os aparelhos em garantia, sem grana ou grama.

Minha esposa me chamou na sexta, para ver a velha geladeira, que tenho há 50 anos, e a elogiei:
– Parabéns, Branquinha!
- É, mas só tem água, sem ovos, leite, queijo, manteiga. E só vamos lanchar hoje e amanhã. Sábado e depois, nem almoço – ela me disse – e o que podemos fazer? Ajoelhar e orar!

Fizemos, agradecendo e pedindo serviços, além das garantias Gradiente.
Passaram-se uns 15 minutos e um carrão parou à porta:
– O Senhor conserta TV alemã?
– Oh sim! (pois, se tinha orado) como é que negaria serviço? Peguei-a, abrindo-a, cliquei num Fusistor e a imagem voltou, com cores e som. Devolvi, e ele me perguntou:
-Qual a razão?
-Provavel sobre-tensão na rede em sua rua. O Sr. compra um estabilizador automático.
- Quanto é que ficou?
– NADA, boa Noite!

E a esposa falou:
- Orar novamente?
-Não! Deus não é Surdo e não sofre de Alzheimer!
No dia seguinte, ele voltou com o carro cheio de aparelhos
– Por que não trouxe ontem? – Perguntei.
– Não conhecia o senhor, mas agora sim.

A esposa falou baixinho:
– Pede adiantamento!
Eu me segurei, mas pedi ao Senhor que cutucasse tal cliente. Na saída ele me perguntou:
– Precisa de adiantamento?

Eu sorri e chorei simultaneamente:
– Preciso fazer uma feira.
Hoje, próximo dos 72 anos, ainda trabalho e oro. Precisamos de um Deus Verdadeiro, Prático, extra-religião, Justo, Fiel, Um Paizão!

-
Escrito por José Tomas Niedhardt NIEDHARDT