Final de tarde dourada, assim cheguei pela primeira vez ao Parque do Ibirapuera. Olhei ao redor; um misto de curiosidade e encantamento, sentindo que as cortinas do espetáculo se abriam. A vegetação em movimentos sensuais dançava ao toque do vento maroto, que sutilmente roubava o perfume e a suavidade das flores e seguia seu destino sem olhar para trás. Percebi emocionado que o solo sob os pés era sagrado.

Crianças sorriam despreocupadamente, anciões emocionados dividiam suas histórias de vida, o beijo dos apaixonados, abraços, bolas coloridas rolavam pelo gramado seguidas por meninos; animais e donos se olhavam com profundo amor e cumplicidade, idiomas diversos, encontros e despedidas; havia música no ar...

A vida estava ali representada no canto dos pássaros, nos risos, no perfume das flores, na majestade das árvores das mais variadas formas e texturas que a tudo assistiam cerimoniosamente como num dia festivo.

Num grande abraço, todos os belos sentimentos estavam ali representados. A natureza solenemente reverenciava o dourado ocaso do sol, que lentamente dava lugar às sombras do anoitecer. O luar a princípio pálido, tornou-se de um prateado intenso ao desenhar um caminho sobre o leito das águas...águas que refletiam não só a cultura do local, como muito de nós mesmos. Entendi então que, aquele caminho levava a um paraíso supremo, e que o Criador numa noite como aquela poderia ter pego uma carona no luar e deixado suas pegadas ali. Amado parque, como cortar o cordão umbilical que faz do meu corpo uma extensão do seu corpo esculturalmente esculpido?

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Escrito por Chateaubrian Coelho de Lima Filho