A minha história de amor e também da minha vida. Ela começou em 1968, quando eu tinha 20 anos. Não lembro o dia e mês quando conheci o grande e primeiro amor de minha vida, Lucas Gonçalves de Almeida, pernambucano da cidade de Abreu e Lima (nunca esqueci), morou em Belém do Pará, serviu a Marinha. Foi lá que eu o conheci.

Ele era cabo, um jovem alto, bonito, muito educado, quem não se apaixonaria? Vestido com aquele uniforme? Foi amor à primeira vista. Eu era muito tímida, as primeiras paqueras, não dei muita atenção, como ele não desistiu, fui perdendo a timidez, e começamos a namorar. Foi um namoro muito gostoso, me respeitava, me levava para passear, conforme as nossas folgas, em lugares turísticos do Pará.

Ele viajava muito no navio de serviço. Eu trabalhava de datilógrafa, em uma loja de eletro-domésticos em Belém, e estudava à noite, no colégio Instituto de Educação do Pará. Este colégio ficava na praça principal de Belém, a praça da República. Uma praça bonita, enorme, cheia de árvores de mangueiras, no centro dela tem o Teatro Municipal da Paz, ao redor dela tem: hotéis, bancos, restaurantes, igrejas e o cinema Olímpia que nós íamos, ainda existe até hoje. Quando passo por lá, sinto saudades...

Também fazia curso de inglês com os americanos missionários da Igreja Batista que eu frequentava, a primeira de Belém, a mesma ficava na praça principal.

O tempo foi passando, em 1970, ficamos noivos. A música que marcou a nossa história foi "Canzione Perte", a qual Roberto Carlos ganhou o prêmio no festival de San Remo em 1968. Inclusive, ele trouxe na época, um compacto dessa música de Manaus para mim, só que roubaram dele no navio, aí então ele cantava para mim.

Em 1971, ele foi transferido para o Rio de Janeiro, e, no ano seguinte, ele ía voltar, para casarmos, então eu vinha morar com ele no Rio. Mas, o tempo passou, e devido às viagens pelo mundo, os nossos contatos foram diminuindo, até que não deu mais. Ficamos sem contato um bom tempo.

Em 1974, recebi uma carta, na qual ele me explicava o motivo: "...a jovem engravidou, ele falou que era noivo e ía se casar, ela tentou se matar grávida, aí então ele a assumiu", disse ele. Eu sei que por causa desse amor, abandonei tudo, menos de trabalhar, porque precisa do dinheiro, para as contas do meu enxoval que eu já tinha começado a fazer.

Em 1975, fui mandada embora do meu emprego e no final do mesmo ano vim para São Paulo. Fiquei sabendo que tinha muito emprego aqui.

Vim junto com uma amiga, a Graça. Fomos morar num pensionato, na rua Domingos de Moraes, lá na Vila Mariana, naquela época havia muitas pensões.

Detalhe, só ia perder a minha virgindade, quando nos casássemos. Em 1976, escrevi uma carta para Lucas a fim de avisar que eu estava morando em São Paulo. A resposta, chegou o mais rápido possível, pedindo para eu ir lá no Rio, para conversarmos. Fui toda alegre e ansiosa. Chegando no Rio fui direto para Niteroi, na base da Marinha, onde ele estava de serviço,. Ficamos a tarde inteira conversando. Era um sábado, não deu em nada, ele falou que tinha casado no ano anterior. Dormi num hotel, lá mesmo em Niteroi, e no dia seguinte voltei chateada para São Paulo. Não tive nunca mais notícias dele, mas nunca o esqueci.

Trabalhava de ditalógrafa no escritório de um grande hospital na Vila Mariana. Em 1977, fui trabalhar de telefonista na saudosa TELESP. Também nesse mesmo ano conheci o Roberto, um paulista que foi meu marido por 25 anos, tivemos 2 filhos, mas não tínhamos muito amor um para com outro. No final de 2002, ele foi embora, foi morar com outra, mesmo assim eu senti muito.

O tempo passou, não quis mais saber de outra pessoa. Em 2006, tive um câncer de ovário, fui operada e fiz químioterapia, fiz acompanhamento, usei a bolsa por 2 anos, e voltei para repor o intestino.

Depois dessa, fiz mais 2 cirurgias de hérnia. Graças a Deus estou aqui, perto dos meus filhos e netos, os quais eu os amo muito. Em agosto de 2013 procurei por ele, sim, o grande e primeiro amor da minha vida, o Lucas. O encontrei morando em Natal-RN. Está bem, está viúvo, estamos conversando por telefone, estamos planejando o nosso encontro para 2015. Fazem 38 anos que a gente não se vê. Estou ansiosa para vê-lo.

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Escrito por Maria Pinto Bentes