Sempre gostei de dar aulas, embora só tenha iniciado aos 23 anos. E só parei aos 64.
Tive a chance de participar de três cursos específicos: didática, técnica de motivação de alunos e recursos audiovisuais, antes de iniciar meu magistério.

Nunca vivi só dando aulas. Sempre tive o meu emprego normal. Lecionava à noite na Universidade e, durante o dia em cursos de 20 ou 40 horas-aula nas empresas onde trabalhei e em outras, cedido pelo meu empregador.

Eu desenvolvi meu método didático e motivacional, sempre considerando o aluno em primeiro lugar, como ser humano e como profissional.

Eu estava certo de que, para melhor proveito dos alunos, eles precisavam entender o que eu ensinava. Isso exigia de minha parte uma interação com eles e muita motivação. Era preciso mantê-los atentos e acreditando que estavam investindo em sua carreira profissional.

Nesses cursos profissionalizantes eu usava, no primeiro dia, fazer a minha apresentação e pedia a cada aluno que fizesse o mesmo. E, com esta técnica, todos ficavam conhecendo todos e a interação era perfeita durante o curso.
Interessante é que, sem exceção, os meus alunos ficavam até emocionados com suas auto-apresentações e diziam que realmente, eles não se conheciam. E isso ajudou muito no direcionamento de suas vidas daí para frente.
O ambiente em classe era de mútuo respeito e camaradagem.

Minhas aulas eram sempre amenas, de modo a não causar cansaço nem desinteresse nos alunos. E, para isto, eu intercalava cânticos durante as aulas, fazendo da turma um verdadeiro coral.

Distribuía no primeiro dia de aula, uma folha com cerca de vinte letras de músicas antigas mais conhecidas.
Quando sentia que a turma estava meio desinteressada ou cansada eu pegava minha folha de cânticos e pedia a um aluno que escolhesse uma música e nós a cantávamos. Quem não sabia a música ia aprendendo com os demais.

Assim, minhas aulas tornavam-se divertidas e isto agradava muito aos alunos e ajudava no rendimento escolar. Para compensar o tempo gasto com esta atividade, eu não me delongava em explicações desnecessárias e selecionava o que era mais importante na matéria.

Durante cada curso eu motivava os alunos para fazermos uma festa no segundo tempo do último dia. Consistia na entrega dos certificados, algumas palavras do diretor do órgão e de um ou dois alunos, e partíamos para um animado lanche.
Cantávamos umas duas músicas e terminávamos com o Pai-Nosso de mãos dadas, seguido de longos e fraternais abraços de despedida.

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Escrito por José Expedito

BH-maio- 20114
joseexpedicto@uol.com.br