Por volta de 1974, eu trabalhava na antiga Telepar, na cidade de Loanda (PR), no cargo de telefonista encarregada, onde havia cinco telefonistas, contando comigo. Lá também funcionavam o escritório e o Posto de Serviços (onde as pessoas iam para fazer ligações interurbanas). Eu também substituía as folgas das telefonistas. Nesses dias, eu trabalhava de madrugada, no turno das 0h às 6h. A telefonista que estava escalada para esse horário vinha no horário da telefonista de folga, de manhã, de tarde ou de noite.

Um belo dia, estava eu sozinha, por volta das 3h, quando na mesa de interurbano a lâmpada que indicava a presença de alguém na cabine telefônica acendeu. Nossa, senti um pavor de medo! Fui aos poucos me controlando e atendi a sinalização com a voz trêmula. A voz da cabine me falou:
- Moça, não tenha medo, eu preciso fazer umas ligações interurbanas, é caso de morte.

Empurrei a porta, e ela se abriu. Eu imediatamente falei:
- Pelo amor de Deus, o senhor se dirija ao Hotel Loanda e eu o atenderei de lá.
Isso marcou a minha vida e jamais esqueço o medo que senti naquela hora.

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Escrito por Maria Lúcia da SIlva