Certo dia, deparei com antigo colega de tempos idos. Época em que éramos vestibulando! Depois de muitas e boas recordações, olhando para o meio da rua pouco movimentada, ele me perguntou se por ali havia passado algum político. De pronto respondi que não sabia. Ele riu, apontando para um monte de esterco equino, ainda úmido e esverdeado, no meio da rua. Diante da amostra, expliquei:
- Se fosse em Ipanema, Leblon, eu desconfiaria de quem poderia ter sido, mas aqui, por estas bandas... Pode ter sido qualquer pretendente a político, já fazendo seu estágio!
- Nos anos 70, época da ditadura, falavam que, nos morros, traficantes secavam esse tipo de dejetos e vendiam aos viciados, como se fosse maconha. Lembra-se?
- Mas quem lhe disse que esse modelo de esperteza acabou?
- Não creio que nos dias de hoje ainda há otário para comprar fezes passadas por “erva”, com tantas variedades de drogas autênticas, facilmente encontradas pelas ruas desta cidade!
- Por isso mesmo! A multiplicidade faz surgirem oportunidades. E os mais espertos, que só pensam em levar vantagens, aproveitam-se para manipular os ingênuos e controlar os desprovidos de inteligência.

- Isso é verdade!
- E a esses, eles vendem drogas ludibriosamente preparadas, nomeadas com logotipo e patente!
- Como assim?
- Ué! Pedro Bial acaba de lançar no mercado o 15º pacote de uma que se diz Big Brother Brasil!

-
Escrito por Luiz Carlos Lessas