Cachoeiro de Itapemirim é carinhosamente chamado de “A capital secreta do mundo”. Principal centro econômico do sul do Espírito Santo, é o segundo polo mais importante do estado, depois da conturbada Vitória, a capital.

Cachoeiro tem uma das maiores jazidas de mármore do Brasil e é um centro internacional de rochas ornamentais. A cidade também é berço de uma grande empresa de destaque nacional, a Viação Itapemirim S/A. Além disso, o município acolhe a única fábrica de pio de ave da América do Sul, a Fábrica de Pios Maurílio Coelho, com mais de cem anos de existência. Os pios são feitos de madeiras nobres provenientes de raízes de árvores extraídas no passado.

Cachoeiro de Itapemirim situa-se na Zona Fisiográfica Serrana do Sul, às margens do rio Itapemirim, no ponto em que este deixa o Planalto Cristalino – onde forma corredeiras (“cachoeiros”, “cachões”) – e entra na Planície Litorânea. Entre os vários picos das redondezas, sobressaem o do Itabira (600m) e o do Frade e a Freira (370m). Esses picos fazem parte da frente escarpada e contínua de serras, que, constituídas por uma série de cabeços e pontões, se alinham na fachada costeira do sul do estado.

Cachoeiro de Itapemirim é hoje, sobretudo, um centro de extrativismo e de beneficiamento mineral (mármores, granitos e moagem de calcário). Na indústria, sobressai a produção de cimento, calçados e laticínios, havendo também significativa pecuária e cafeicultura. Polo educacional do sul capixaba, o município conta com vários estabelecimentos de ensino superior.

Não podemos deixar de nos lembrar dos ilustres cachoeirenses: Roberto Carlos (cantor), Rubem Braga (escritor), Sérgio Sampaio (cantor e compositor), Luz Del Fuego (bailarino), Carlos Imperial (ator, produtor musical e cineasta), Levino Fânzeres (pintor) e Raul Sampaio Cocco (compositor e cantor).

Mesmo com tudo isso, não poderia deixar de registrar algumas coisas pitorescas que acontecem na cidade. A lei da sobrevivência sempre foi um desafio em minha vida. Lutando, estudando e trabalhando muito, fiz minhas conquistas. No entanto, não imaginava que sobrevivência tinha um significado tão amplo, mas também insignificante, para muitas pessoas.

Após um ciclo de trabalho, me aposentei em 1998 no sistema de telecomunicações, mas nunca me afastei do tentador trabalho e até hoje continuo na ativa. Em 2009, fui submetida a uma cirurgia na coluna vertebral, com prótese, mas o pavor de ficar inativa me levou a voltar ao trabalho em 30 dias.

É exatamente aqui que a importância de vivenciar a lei da sobrevivência ameaçada veio à tona. Recém-operada, fui levada, por questões de segurança, a fazer uma placa com os dizeres “estou operada”, para garantir minha sobrevivência ao atravessar a passarela de pedestre em uma das ruas mais movimentadas da cidade. Trata-se da Rua Bernardo Horta, localizada no centro da cidade, que atrai o maior número de consumidores aos comerciantes locais.

O que chama a atenção é que eu atravessava a pista “oficial” e mesmo assim sentia-me insegura. É que antes existiam duas pistas, que foram substituídas por apenas uma. Mas os habituais cidadãos insistem em continuar atravessando a anterior, que virtualmente existe até hoje na cabeça das pessoas – podemos ver, inclusive, o resquício do desenho apagado da passarela.

Uma lástima! Salve-se quem puder. Para sobreviver, vale tudo. Um desconhecido achou pitoresco e me elogiou pela coragem e pela criatividade que facilitaram a minha vida. Os carros paravam, e até os guardas me ajudavam na travessia. Ali, descobri que a coragem e a luta pela sobrevivência advêm da necessidade e do momento vivido. Estou feliz, recuperada e agradecida. Hoje me envaideço de todas as lutas e desafios superados.

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Escrito por Lucia Helena de Oliveira Moreira