Vou contar algumas das várias histórias que vivenciei após a minha aposentadoria, em atividades voluntárias, como numa enfermaria de emergência psiquiátrica.

Um dos pacientes, recém-admitido em crise, ao me ver pela janela do lado de fora da sala, estendeu a mão e, aplicando nela um tapa, disse: “Foi você que me pôs aqui.” Aquilo me assustou, apesar de ele estar no ambiente protegido e não oferecer risco.

Em outra situação, quando num ambiente terapêutico e já medicado, o mesmo paciente, a despeito de ter sido medicado, me causou insegurança. Mas ele se aproximou e pediu perdão.

Outra situação foi num ambulatório de neurologia. Em treinamento, a paciente com demência olhou para mim (eu já aposentada e de cabelos grisalhos) e disse:
– Gosto tanto de velhinhas!
Eu, então, respondi:
– Eu também.

É um pequeno resumo dos tempos que vivi no curso de Terapia Ocupacional, feito após a aposentadoria.

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Escrito por Marisa Clara Vita