Já se passaram quase 40 anos, foi quando Cuiabá ainda era atendida pelo Grupo Motor Gerador. Várias vezes por dia, caía a energia, e o calor ficava quase insuportável. Nas caixas e galerias de cabos, o calor chegava a 50º C. Veja que falta de energia não é novidade há muito tempo.

Era dia de inauguração do Serviço Interurbano Automático na capital, novidade para o imenso estado, antes da separação e da consequente criação do Mato Grosso do Sul. O ministro e o presidente da Telebrás, hoje falecidos, faziam parte da grande comitiva do setor, além dos políticos e empresários locais. Um deles era amante da boemia e da boa gastronomia. O outro, sisudo e preocupado com a qualidade e o bom serviço nas telecomunicações.

A preparação da festa incluía uma noitada com show ao vivo e arrumação da casa (a então Telemat). Os organizadores tiveram que se desdobrar para manter a animação até a madrugada – o que não era difícil para uma cidade considerada o “Rio antigo” e que tinha um calor que não deixava ninguém dormir.

Entretanto, no dia seguinte, às sete da manhã, na estação recém-inaugurada, já se encontrava o presidente, caminhando pelos andares, fazendo sua vistoria e comentários para melhorar o serviço.

Atualmente, também a preocupação com a qualidade do serviço é contínua, seja a prestação feita por empresa pública ou privada. Qual é a lição de tudo isso? Será que a diferença não estaria no coração de todos nós, no entendimento do que é servir aos outros e na vontade de fazer um bom trabalho?

Hoje, aqueles trabalhadores da época da construção do Sistema Nacional de Telecomunicações encontram-se, se tiverem sorte, no plano Sistel, contando para os netos e ouvindo, felizes, dos amigos e colegas essas pequenas e curtas histórias.

Estamos na era do streaming, isto é, tudo tem de ser transmitido em pacotes compactos e curtos.

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Escrito por Nelson Mitsuo Takayanagi