Em uma determinada manhã de uma quinta-feira que não parecia ser nada além de ordinária, estava preocupado apenas em encontrar a minha chave de mandril para terminar meus afazeres domésticos, quando encontrei, no fundo de uma gaveta esquecida de uma cômoda de mogno antiga e imponente que estava no canto do quarto, um papel um pouco amarelado e amassado. Nele havia a inconfundível letra desenhada de minha esposa e um conteúdo que me emociona toda vez que vem à memória. Eis a transcrição integral:

“Esta é a minha história. Meu nome é Maria Nasaré Buarque, esposa de José Pacheco Filho.
Jamais esquecerei.

Sempre fui uma pessoa alegre e brincalhona, que todos gostam de ter em companhia. Tive uma infância muito boa. Dos 18 aos 23 anos, frequentava festas nas quais dançava e cantava, e costumava ir à praia. Era tudo uma alegria só. Até que, aos 24 anos, conheci a pessoa por quem me apaixonei perdidamente e que mudou toda a minha vida. Foi quando tudo começou de fato. Já não dançava mais, não cantava. A vida simplesmente virou ao contrário.

O conheci no ano de 1969, e nos casamos em 1971. Quando completamos um ano de casamento, nossa primeira filha nasceu, e ele ficou desempregado. As coisas começaram a ficar extremamente complicadas. Meu marido ficou sem emprego por sete meses particularmente difíceis. Minha vida se transformou. Não havia mais a presença da maioria dos familiares e amigos, antes tão presentes nos divertimentos e nas festas. Deles, só restava o abandono naquele momento. Apenas uma família que tínhamos como amiga nossa se manteve sempre por perto, nos ajudando e nos dando a força necessária para perseverar.
Eu, como sempre, me virava, dando – em minha própria casa – aulas de apoio para crianças das comunidades próximas (dou aulas desde os 12 anos de idade), sempre mantendo a minha fé em Deus.

Em determinado momento, surgiu uma pessoa bondosa e amiga, que levou meu marido para fazer um teste na CETEL (antiga Companhia Estadual dos Telefones da Guanabara e, posteriormente, Companhia de Telefones do Rio de Janeiro, incorporada à Telemar em 1998). Com a glória de Deus ele foi aprovado. Iniciou seus trabalhos por lá como ajudante de carpintaria. Com o meu incentivo, terminou os estudos e fez um curso de técnico em eletrônica.

Então, novamente, a nossa vida começou a mudar completamente – só que, dessa vez, para melhor. Nossa segunda filha nasceu em 1975, e eu prossegui nos incentivos para meu marido crescer nos cargos, na empresa. Hoje, ele está aposentado, realizado graças a Deus, com a família estabilizada. Vivemos um feliz conto de fadas.

Esta é a minha história.

Maria Nasaré Buarque Pacheco”

Cada vez que leio aquelas palavras e me lembro de cada fato descrito, de cada desafio que superamos, me emociono. Serei eternamente grato a minha esposa por todo o esforço feito, por todo o incentivo, mas principalmente por nunca ter desistido de mim. Espero que gostem.

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Escrito por José Pacheco Filho (RJ)