Felipe é um garoto de aproximadamente seis anos de idade, que mora no quinto andar do Residencial Atlântico, onde resido há quatro anos. É inquieto, como toda criança nessa idade, e tem energia para ninguém botar defeito. É gordinho e fica corado com qualquer esforço que faz.

Felipe é bem consciente de suas travessuras. Certo dia fui ao seu apartamento falar com seu genitor a respeito de um trabalho. Quando a secretária abriu a porta, vi o Felipe à mesa da sala fazendo seus deveres escolares.

Logo foi me indagando:
- Eu fiz alguma coisa errada?

Respondi:
- Não, Felipe, você é uma pessoa bondosa. Por que faria coisa errada?

Dias depois, Mauro, seu pai, me contou que em uma conversa o menino perguntou:
- Pai, por que eu não tenho avôs?
- Porque eles faleceram.
- Eu posso escolher uma pessoa para ser meu avô?

Sem dar o sim ou o não, Mauro indagou:
- E quem é que você quer escolher para seu avô?
- O senhor que foi síndico... tem os cabelos brancos... mora em cima do nosso apartamento...

Em seguida, Mauro, rindo, anunciou:
- Foi você que ele escolheu! Prepare-se que ele vai procurá-lo.

Fiquei por alguns segundos surpreso. Em seguida, senti uma alegria imensa ao saber que uma criança tinha tamanha consideração por mim.
Por isso, desde já, fique ciente de que, em breve, serei AVÔ ADOTIVO.

--
Escrito por: José Marinaldo Lula Leite