Meu falecido pai, natural da cidadezinha de Baturité no interior do estado do Ceará, era filho de colonos de fazenda.
Ele contava que um fazendeiro botou uma besta à venda por um preço bem convidativo. Logo, apareceu um amigo, também fazendeiro, que se interessou rapidamente pela compra devido ao bom preço. Foi ao fazendeiro vendedor e acertou a compra.

O fazendeiro vendedor falou:
- Vá a minha fazenda para ver a besta.
O comprador com medo de perder a compra, respondeu:
- Não preciso ver o animal. Vou pagar adiantado e você manda entregar na minha fazenda.

E, assim, fecharam o negócio.
Ao receber o animal, no dia seguinte, o comprador constatou que a besta era velha, manca e desdentada. Ficou furioso e foi reclamar.

O fazendeiro vendedor replicou:
- Não posso fazer nada, você não quis ver a besta antes de comprar.

Depois de muito bate boca, o caso foi parar no juiz da pequena cidade.
O magistrado ouviu atenciosamente a história dos dois fazendeiros e, sem muita demora, deu o veredito em versos:

“É besta!
E besta, torna a ser.
É filho da mesma besta,
quem compra besta sem ver”.

E o caso foi encerrado...

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Escrito por: Antonio Irapuan Gonçalves Cavalcanti