Grumari, Prainha, mil novecentos e qualquer coisa. Antigamente, para se chegar a Grumari tínhamos que dar uma enorme volta, pois no meio da estrada principal existia uma grande pedra impedindo a passagem dos carros e das pessoas, a não ser que a escalassem.

Então, íamos até ao final do Recreio pegávamos um trecho da antiga estrada Rio-Santos, virávamos à esquerda e entravamos no caminho para a Pedra de Guaratiba. Subíamos a Serrinha e, por fim, abandonávamos o carro no meio do mato para podermos chegar até a praia.

E que praia!

Selvagem, virgem, cheias de belezas naturais, extasiante aos olhos dos mortais.
Um grupo de amigos, meu irmão e eu, durante um mês íamos para essa grande aventura. Sempre aos sábados, por volta das 22 horas.

Vitrola portátil para curtir um som, Coca Cola, rum e muita disposição.
Muitos romances começaram nessa aventura. O que hoje é ficar, ontem era amizade colorida.
Olhávamos o céu, a lua. As estrelas em cada noite eram diferentes, uma mais linda que a outra.
Curtíamos sem medo de nada, sem lenço e sem documento.

Violência? Lá não existia, uma vez que para chegarmos ao paraíso tínhamos que ter coragem para enfrentar o mato, os mosquitos e os animais típicos da paisagem noturna.
Existia muita paz ao redor e no interior das pessoas que naquele momento estavam naquela praia deserta. Como esquecer passagens belas como essas, jamais.

Hoje, fecho os olhos e escuto perfeitamente bem a voz de Bread cantando:
- Baby, I’m a want you. Baby I need you...

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Escrito por: Eliane Pinto