Ano de 1976, época das modernizações telefônicas...
Em Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais, substituímos uma central manual por outra automática que possibilitava a Discagem Direta à Distância - DDD. Pânico total! Pois, a maioria da população nunca tinha discado um único número, já que o serviço era manual. Agora, era preciso discar sete algarismos para uma chamada local e 10 para as interurbanas.

Foi doloroso convencer o assinante que o novo serviço era melhor do que o anterior. Então, apareceram fatos curiosos e engraçados nas reclamações. Destaco aqui, o que ocorreu com uma senhora que ligou para o 103 e reclamou de um defeito na sua linha telefônica, mas não sabia precisar o quê.

A atendente registrou a reclamação e passou para o examinador que, em seguida, ligou para a assinante a fim de identificar o defeito. Ao conversar conseguiu entender que ela recebia as chamadas, mas a campainha do telefone não tocava. Ora, sendo assim, como é que ela o atendera?
Voltou a chamar e foi informado que o cachorro latia toda vez que alguém ligava. Curioso, mandou um reparador até aquela residência.

O defeito logo foi descoberto. Acontecia o seguinte, do portão da rua até a casa, que ficava nos fundos do lote, havia uma linha de aproximadamente 10 metros de fio FE aéreo. A mulher havia colocado a coleira do cachorro no fio e ele ficava se locomovendo de um lado para o outro. O atrito provocado pelo movimento fez romper o isolamento plástico do fio, colocando o cachorro em contato direto com a rede.

Quando uma chamada era recebida, a tensão de toque com 75 volts, enviados para acionar a campainha, era descarregada para a terra através do corpo do cachorro. A essa altura, depois de tantas descargas elétricas, o animal nem pelo tinha mais. Na realidade, ao chegar uma chamada o cachorro não latia, ele chorava. Tadinho!

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Escrito por Humberto Assunção Silva