Como Gerente Regional da Anatel para os estados de Pernambuco, Alagoas e Paraíba fiz várias viagens para Maceió. Sempre pelo litoral desfrutando das paisagens belíssimas, do azul do mar e do cheiro inconfundível da maresia. Libidos da natureza.

Em uma dessas deslocações, ao longo do caminho de ida ouvi toda a história do motorista que conduzia o carro locado pela agência. Ele falou principalmente sobre os seus quatro casamentos.
Indaguei ao corajoso homem sobre o porquê de tantas separações e como conseguia manter um bom entendimento com as ex-esposas.

Sutilmente, ele me disse que nunca tinha tido problemas com elas. A não ser com a terceira, com a qual teve um problema de gaiamento. No entanto, sem pestanejar, afirmou que simplesmente chamou o urso, disse para levá-la e avisou:
- O que ela fez comigo vai fazer com você!

Confesso que não contive uma boa gargalhada.

Na volta para Recife nos defrontamos em Maragogi, Alagoas, com um protesto dos sem-terra, que fecharam a estrada com pneus incendiados. Tentei uma negociação com um senhor de idade, participante do protesto. Indaguei sobre os motivos da manifestação e ele respondeu que a prefeitura não tinha entregado o almoço até àquela hora. Em seguida me indicou a chefe do grupo. Era uma chefa dois por dois e com cara de poucos amigos.

Então, resolvi esperar. Sentamos-nos num pequeno restaurante à beira mar. O motorista aloprado logo sugeriu que escapássemos pela areia da praia saindo antes da próxima ponte. Já que o carro não era meu descartei a ideia.

Procurei relaxar diante de tanta beleza à vista. Tirei meus sapatos, coloquei os pés naquela areia branca e macia. Pedi um refrigerante para o motorista e um conhaque para mim. Esquentei o coração, apreciei a visão do mar e de lindas turistas que chegaram e ficaram numa mesa à nossa frente.

Almoçamos e partimos para Recife ao final do protesto, já à tardinha.

O Imprevisto em Maragogi é hoje título de uma poesia no meu blog Varanda das Rimas (http://varandadasrimas.blogspot.com.br/search? q=maragogi)

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Escrito por João Batista Furtado Filho