Vou contar uma história de verdade. Certa vez, logo após dar baixa no exército, fui com um amigo treinar no Botafogo do Rio de Janeiro. Ao chegar à Central do Brasil, caminhando pela Avenida Presidente Vargas vi aproximadamente 10 mil pessoas. Aproximei-me e perguntei às primeiras pessoas da fila porque estavam ali.

Eles me responderam que era para fazer uma prova para trabalhar na Companhia Telefônica Brasileira (CBT). Nesse momento, os portões se abriram e não consegui sair de onde estava, jogaram-me para dentro do prédio. Fui o terceiro a ser atendido. Não furei a fila, foi Deus que me colocou ali.
Isso aconteceu em 1969.

Fiz a prova e a senhora que me atendeu disse:
- Você tem Barros no nome e eu também. Será que somos parentes?
Eu sorri. Tudo estava dando certo.

No dia seguinte, recebi um telefonema informando que havia sido reprovado, fiquei triste. Mas, a pessoa me perguntou:
- Quando é que o senhor quer fazer outra prova?
Respondi:
- Amanhã, pode ser? A senhora disse que sim.

No dia seguinte, refiz a prova. Tirei nota 5 e passei raspando.
Com a ajuda daquela pessoa tão simpática consegui entrar na empresa. Foi o meu único emprego até a aposentadoria. Com o auxílio do sindicato fiz o 1º e o 2º graus, o curso de técnico em eletrônica e cheguei a ser gerente de setor.
Essa é minha história verdadeira!

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Escrito por João Carlos Nunes