Era para ser uma brincadeirinha do intervalo após o almoço, mas...

Lá pelos idos de 1986, eu e mais alguns colegas da Telemig estávamos fazendo um treinamento em Belo Horizonte, no Centro de Apoio, como era conhecido na época. Participavam colegas de todas as regiões, alguns conheci ali mesmo.

O curso era de segunda a sexta, participávamos técnicos, engenheiros e instrutores. Com o
passar do tempo fomos ficando mais próximos. Entre as coisas que fazíamos
havia um bolão da loteria esportiva.

O resultado era conferido no quadro na sala de aula após o almoço. Bem, isso aconteceu por semanas, alguém pegava o resultado e escrevia no quadro. A turma chegava e pegava os cartões, que eram muitos, e começa a cantar em voz alta.

Um dia, eu cheguei mais cedo e me deparei com os cartões em cima da mesa do professor e tive esta não muito feliz ideia de fazer uma brincadeira. Peguei um cartão lá do meio do monte e escrevi os números dele no quadro como se aquele fosse o resultado da loteria.

A turma chegou e um deles foi logo falando:
— Oba! Já temos resultado, vamos conferir.

O primeiro volante foi conferido, nada... Até que chegou ao dito cujo, aí começou o burburinho. O resultado do primeiro jogo, acertamos, o segundo também. A turma ansiosa acompanhava em voz alta. Foi assim até o 13º item, quando a euforia foi geral.

Só vi quando um colega enfiou o pé numa mesa e a jogou longe, gritando:
— Tamo milhonário! Vou pra Miami hoje mesmo. — E por aí a fora.

A gritaria foi tanta que o pessoal da direção foi até a sala para saber o que estava acontecendo.

E, eu lá dizendo:
— Gente, isso foi uma brincadeira!

A minha voz não aparecia...
— Gente... isso foi...

De repente, os que estavam ao meu lado, o Carlos Mandioca, o Sereno e outros começaram a perceber.

Não é preciso falar mais nada, né? Quase fui linchado.

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Escrito por: Gilberto Carregal