Estando de plantão num sábado, apareceu uma solicitação para que eu fizesse a supervisão de um telefone no Edifício Tiradentes. Chegando lá, por volta das oito horas, fui até o elevador. Quando entrei chegaram três senhores, um embriagado e outros dois querendo levá-lo para o apartamento.

Acontece que o bêbado não queria subir. Então, um deles colocou a mão para impedir que a porta fechasse enquanto tentava convencer o amigo a entrar. Ao mesmo tempo, me pedia um pouco de paciência. Depois de muito trabalho botaram o bêbado para dentro do elevador.

A porta fechou, apertei o botão do andar no qual eu queria descer. Quando o elevador parou, o rapaz que estava embriagado fez a maior confusão, dizendo que não ia descer ninguém e todo mundo tinha que ir para apartamento dele. Foi quando expliquei a um deles que eu estava trabalhando e tinha hora para dar resposta sobre a execução do serviço.

O rapaz respondeu-me com um pedido:
- Parceiro, quebra esse galho! Nós estamos tentando levar esse nosso amigo para casa desde cinco da manhã. Agora está tão perto, dá essa força pra gente, você sobe e desce logo, ok?

Eu respondi:
- Está bem. Então, vamos logo!

Chegando ao andar desejado, o elevador abriu e todos saíram para o corredor. A porta do apartamento já estava aberta esperando a figura. Foi quando ele disse:
- Vamos entrar, vamos entrar!
Um dos amigos dele volta a me pedir, agora para entrar até a sala:
- Será rapidinho!
Eu entrei.
Acontece que na porta da sala estava a esposa dele, uma mulher nova e bonita vestindo um short curtinho.

Nesse momento, ele coloca o braço na parede do corredor, encosta a cabeça no braço e olha por debaixo do braço para dentro de seu apartamento e me vê na sala. Então, o homem deu um berro:
- Ééégua! Quem é esse cara que está no meu apartamento?

A esposa respondeu:
- Querido, ele veio com você.
- Comigo não! Ele retrucou.
E partiu para me agredir. Sorte que os dois amigos o seguraram, tentando convencê-lo de que eu havia chegado com eles.
No meio dessa confusão com muitos gritos apareceu a empregada da casa na sala. Foi quando vi a oportunidade de fugir.

Peguei no braço dela e perguntei:
- Tem outra saída, sem ser essa?
Ela disse que havia a porta da cozinha em frente ao elevador de serviço.

Aí, falei para ela:
- Me leva até lá, que teu patrão ficou bonzinho do porre e está querendo briga.
Não sei dizer como terminou esse sururu, já que fugi pela cozinha.

(Observação: isso foi real!)

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Escrito por: Carlos Alberto Alencar Falcão