Comecei trabalhando na antiga Companhia Telefônica Brasileira — CTB, depois Telecomunicações do Estado do Rio de Janeiro — TELERJ, na qual trabalhei na área de rede subterrânea. Fui encarregado, encarregado geral, chefe de seção, chefe de divisão (na época chamava-se superintendência) etc.

Lá trabalhei com muita gente humilde como cabistas, emendadores e aqueles que trabalhavam na instalação de dutos subterrâneos.

Dentre os cabistas existia um encarregado geral, chamado Antonio José da Costa Câmara, conhecido como seu Câmara. Ele era uma pessoa altamente querida de seus funcionários, por ser alegre, brincalhão e por gostar muito de ajudar a todos os seus subordinados que o procuravam pedindo alguma coisa.

Certo dia, um desses cabistas recebeu um determinado favor do Câmara. Querendo demonstrar gratidão pelo favor, num momento de felicidade e com o coração aberto, chegou perto do chefe e disse (palavras textuais, sem mudar nada, pois até hoje estão na minha memória):

- “Seu Caimbra, gosto muito do senhor. Detesto ir a um enterro, mas o seu eu vou com o maior prazer”.

Não é preciso dizer da emoção que eu próprio senti pela atitude do cabista.

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Escrito por Jacob Kogut