Jurubeba é uma fruta silvestre que era encontrada aos montes nos terrenos baldios do bairro dos Expedicionários. Servia para brincarmos de guerra, utilizávamos como bala nos nossos estilingues. Os mais velhos diziam que servia para o tratamento estomacal.

Estudei no Grupo Escolar Santa Julia na quarta série ginasial, e minha professora era dona Miriam.

Ela era boazinha, gostava demais de colocar a classe de repouso quando fazia muito barulho. O repouso (para quem não conhece) era colocar os braços dobrados em cima da carteira, colocar a cabeça em cima dos braços e não mexê-la para nenhum dos lados. Com o passar dos minutos dava um sono... Para seu governo, eu dormia todas as vezes que ficava de repouso. Certa vez, cheguei a babar.

Quem não trouxesse o dever de casa pronto tinha a nota diminuída no final do mês. Quem gaguejasse na leitura ficava lendo até acertar. Acho que devido às suas exigências, a coitada sofria do estômago.

Na época não havia a medicação que hoje existe nas farmácias em abundância. O remédio era o caseiro, chá de boldo, mastigar cenoura, comer maça e a formidável jurubeba.

Foi aí, que começamos a explorar nossa mestra. Um saco de jurubeba dava direito a uns pontinhos na nota. Para quem tirava nota baixa, a salvação era procurar jurubeba.

Para seu conhecimento, leia a importância (via Wikipedia) da frutinha que a mestra tanto gostava:

“A jurubeba (Solanum paniculatum L) é uma planta medicinal de sabor amargo, comum em quase todo o Brasil.
A infusão do seu caule e da sua raiz em álcool de cana (cachaça) é popularmente utilizada como aperitivo e como digestivo. A medicina popular recomenda o seu chá como tônico cardiovascular, estimulante do apetite, do fígado (colagogo) e do baço, contra problemas da digestão, diurética, hipoglicemiante, antianêmica, febrífuga e cicatrizante. Há casos de utilizações da Jurubeba em tratamento de afecções da pele, como a acne. É também usada em diversos rituais religiosos”¹.

Viva a Jurubeba!!!

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Escrito por José Marinaldo Lula Leite