Existe o Gato de Botas, a Gata em Teto de Zinco Quente, a Gata Borralheira e tantos outros felinos, mas... Bem, lá pelo Agreste de Pernambuco eu conheci uma jovem que criava uma gata branquinha como um floco de algodão, à qual ela deu o nome de Marry. Era o xodó da casa de Seu Vicente.

A gatinha brincava com todos os animais da casa: Toby (o Dálmata), os gatos Zóio e Baby e a cachorra Malú sem nunca sair ferida.

Com o passar do tempo, quando as irmãs de Vera saíam para passear com os cachorros pelas redondezas, os gatos ficavam na maior brincadeira da sala de estar até a cozinha e a gata branca era quem puxava o cordão.

A gata era muito querida da Cuca, apelido caseiro da Vera Regina. Quando ela ia para o colégio a danada lhe seguia por vários quarteirões, era preciso usar a régua para tangê-la de volta.

A Marry gostava de brincar com notas de reais. As de um real ela logo deixava pelo chão, mas as de maior valor ela prendia com as garras. Era preciso segurá-la para retirar a nota de suas unhas.

Certa vez, na hora do almoço a gata chegou com alguma coisa na boca, entrou com o rabo na vertical. Foi aí que o Rafinha gritou:

— Vovó não é passarinho, não!

Então Dona Maria levantou-se para tanger a gata para o quintal, mas com surpresa falou:

— Vicente, meninas... a Marry está com uma nota na boca!

E quem disse que ela deixava alguém sacar a nota?!

— Ela deve ter achado na rua e não sei como colocou na boca. Retrucou a Valery.

Depois de muito trabalho foi retirada a nota de cinquenta reais meio molhada de sua boca.

Como ela sabia que aquilo era algo de valor? Foi aí que Seu Vicente entendeu e falou:

— A Vera quando vai comprar alimento para os animais fica brincando com as notas e a gatinha pelo chão. Por isso, a Marry fica logo esperta esperando a ração chegar. Quando ela viu essa nota na calçada rapidamente a trouxe para casa!

No outro dia, em vez de ração, a Cuca comprou um lindo colar para Marry. Ela certamente não gostou daquela ideia.

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Escrito por Vanildo Ricardo Silva