Em meados de 1972, eu trabalhava numa empresa de energia elétrica em Belo Horizonte e tinha muitos amigos lá. Um dia pela manhã, Antônio Maria, um desses amigos, disse-me que recebera a notícia de que sua mãe estava muito mal, podendo morrer a qualquer instante. Ela morava em Baependi, distante 380 Km de BH.

Antônio disse-me que não conseguira comprar passagem de ônibus para visitá-la e estava muito preocupado, pois gostaria de se despedir da mãe ainda em vida. Nessa época eu tinha comprado um fusca e me propus a levá-lo até aquela pacata cidade do sul de Minas Gerais, desde que ele ajudasse no gasto com gasolina.

Conversamos com nosso gerente, que nos autorizou a viagem. Convidamos o Domingos, outro colega, para nos acompanhar e saímos por volta do meio dia. Viajamos tranquilos até que anoiteceu.

Na estrada escura passei a observar algo estranho. Nas curvas perigosas, por mais de uma vez, percebi um farol de automóvel vindo em sentido contrário, mas que não cruzava com nenhum veículo.

Achei aquilo muito estranho e resolvi comentar com meu amigo Antônio Maria. Ele me disse que naquele trecho era comum isso acontecer. Relatou que ouvira falar que muitos acidentes com mortes haviam acontecido naquele trecho e fatos sobrenaturais aconteciam ali. Estranhei demais aquela explicação e passei a ficar mais atento para ver se voltaria a acontecer. Como não aconteceu novamente, não falei mais nada, mas também não esqueci o que foi dito.

Chegando à cidade fomos até a casa da senhora moribunda. Tomamos um cafezinho junto ao fogão de lenha e conversamos um pouco. Ao final da visita perguntei sobre um hotel para descansarmos da viagem. Meu amigo Antônio Maria logo foi dizendo que não iríamos para nenhum hotel e nos passou a chave de uma velha casa que estava fechada já há alguns dias. Os seus parentes tomavam conta da residência até que o proprietário voltasse de uma viagem.

Eu e o Domingos de posse da chave e do endereço fomos procurar a tal casa. Depois de algumas voltas pela cidade estacionamos bem em frente dela. Tudo estava muito escuro, pois havia pouca iluminação na rua. Tranquilamente abrimos a porta da frente, entramos e acendemos a lâmpada. Observamos que havia uma escada que levava até ao andar de cima, onde certamente encontraríamos os dormitórios.

No entanto, decidimos ficar num pequeno cômodo, bem ao lado da porta da sala, que possuía duas camas de solteiro, era um antigo escritório transformado em quarto. Mais adiante havia uma pequena sala de jantar e um banheiro. Achei melhor assim para não ter que subir aquela escada e ficar correndo a casa toda.

Tomamos um banho e nos preparamos para dormir. Estávamos realmente muito cansados da viagem de cinco horas. Apagamos todas as lâmpadas, fechamos a porta do quarto e deitamos.

Depois de algum tempo, quando tudo estava muito quieto, escutei o som de passadas. Parecia que uma pessoa estava andando pela casa. Chamei pelo Domingos e perguntei:

— Você está ouvindo umas passadas?

E ele respondeu:

— Sim. O que vamos fazer?

Resolvemos ficar quietos, mas as passadas continuaram. Então, abri a porta devagarzinho para olhar o lado de fora, mas como estava muito escuro nada pude ver. Gritei em voz alta:

— Tem alguém em casa?

Não obtive nenhuma resposta e tudo voltou a ficar quieto.

Voltamos a deitar. Depois de um tempo, novamente ouvimos as passadas. Senti que não havia tranquilidade para pegar no sono.

De repente ouvi que as passadas começaram a ficar mais altas e próximas do quarto. Foi quando percebi que a maçaneta da porta da sala estava sendo conferida para saber se estava trancada. Nessa hora me subiu um calafrio e eu disse ao Domingos:

— Tem realmente gente nessa casa.

As passadas foram se afastando e de repente a lâmpada da sala de jantar se acendeu. Aí decidi levantar. Abri novamente a porta do quarto, observei que a lâmpada estava acesa e gritei mais alto ainda, perguntando se havia gente na casa. Nada se ouviu em resposta.

Nós dois esperamos um tempo e em seguida saímos do quarto para apagar a lâmpada. Tomamos mais coragem e gritamos por vários momentos perguntando se havia gente em casa. Não houve nenhuma resposta. Então, apagamos a luz, voltamos para o quarto, trancamos a porta e nela encostamos um velho guarda roupas a fim de impedir que fosse aberta. Nos deitamos e nada mais aconteceu...
No dia seguinte, fomos devolver a chave na casa do nosso amigo Antônio Maria e relatamos o ocorrido. Perguntamos se havia algum tomador de conta ou caseiro naquela casa e tudo foi negado. Achamos muito estranho o fato ocorrido. Pegamos o carro de volta a Belo Horizonte recordando a experiência daquela noite, sem conseguirmos uma explicação plausível.

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Escrito por: Cleiton Ferreira Paratela (Belo Horizonte)