Não há maior riqueza para um ser humano do que viver em paz e harmonia. “Somente o fato de tentar o caminho da yoga, eleva a criatura humana” (Bhagavad Gita). A Yoga nos faz entrar em contato com as forças mais profundas do nosso Eu Interno. Patânjali, sábio indiano disse que a Yoga é a suspensão dos redemoinhos da mente. Só quando a mente estiver plácida e silenciosa como um lago tranquilo é que poderá refletir a imagem da Divindade.

Por pensarmos assim Jorge, Resende, Gonçalves e eu resolvemos procurar o saudoso professor PC para praticarmos a Yoga. Chegamos à academia sem graça e com muita expectativa. Fomos saudados como manda a tradição e começamos a praticar os exercícios. Primeiro foi a postura da relaxação (savásana), da cobra (bujangásana), arco (dhanurásana), torcida (matsyendrásana), andorinha (bushiásana), estirada (supta vajrásana) e lótus (padmásana). No fundo ouvia-se a música do mestre Kitaro e mensagens espirituais proferidas pelo professor. O ambiente era lindo, aconchegante, estávamos perto de Deus.

O mestre se exibia e nós tentávamos acompanhá-lo com as juntas fazendo grande barulho e ríamos das posições que não conseguíamos fazer. O que se via era cara feia, contorcionismo e muito fracasso. Calmamente o mestre PC nos incentivava e pedia paciência a todo instante. Na postura do relaxamento ficamos deitados de costas no chão com os braços esticados ao longo do corpo. Relaxamento total. O professor pediu que levantássemos. Apenas três se levantaram, Gonçalves se manteve deitado, dormindo e roncando. Relaxou demais. Nada o incomodava. E os exercícios continuavam. Deita, assenta, levanta, torce, contorce o corpo, respira, relaxa – e o Gonçalves continuava dormindo. Estávamos agora na postura do lótus ou “posição do Buda”. Silêncio total, olhos cerrados e muita concentração.

Passamos para o exercício Respiração Vital. Ficamos de pé, com a espinha reta e a cabeça erguida, deixando os braços penderem molemente ao longo do corpo respirando o ar profundamente pelo nariz, enchendo bem os pulmões. Enquanto isso o mestre orava: “A respiração é a vida, o espírito e a saúde”, “O prana está dentro de mim. Estou completamente sadio, alegre e feliz”, “Eu aspiro através do Prana nova força e nova alegria vital. Todo o meu corpo, minha alma e meu espírito estão inundados de força cósmica”, “Elimino do meu corpo e do meu espírito todas as debilidades e impurezas”. Neste exato momento o silêncio foi quebrado com um estrondo. Gonçalves acabara de liberar um sonoro “pum”. Acreditamos que a oração “Elimino do meu corpo e do meu espírito todas as debilidades e impurezas” tenha lhe provocado tal reação. Descaradamente ao acordar ele perguntou:

— Quem fez isso? Foi você Jorginho?

Foram tantos risos que desconcentramos e a sessão acabou.

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Escrito por Francisco de Santana