Ele tinha muitos problemas com a esposa, mas tinha que aturar porque tinham dois filhos para orientar e ver independentes. Ela já era sozinha, não aguentou o marido. Pelos filhos, ainda para criar, voltou ao mercado de trabalho. Encontraram-se um dia em uma reunião de amigos. Começaram a conversar. Mil lembranças dos tempos de criança e da adolescência. Coisas para contar. Músicas a recordar. Alegria! Cumplicidade. Fatos e lembranças de antes, da vida de cada um.

Durante o trabalho, no dia seguinte, um imenso desejo de saber mais. Ela sobre ele e ele sobre ela. Então ele ligou! Horas ao telefone. Conversa, puxa conversa. Lembrança puxa lembrança. No dia seguinte, no outro e no outro... Assunto puxa assunto. Conversa puxa conversa! Delícia de expectativa, um ou outro sempre lembrava algo interessante para contar no outro dia.

Então! Ele precisou ir à cidade onde ela morava. Marcaram um encontro. Um barzinho ao ar livre. Cerveja, petisco e luar. De repente, meio sem querer, o primeiro beijo. A vontade de se verem foi aumentando. Não bastava a troca de recordações pelas cartas. Sim, pelas cartas. Falarem-se ao telefone era pouco.

Tornaram-se confidentes. Trocaram seus bons momentos, suas amarguras. Cada qual já conhecia a família do outro, mas só pelas conversas, lembranças e saudades relembradas. Então, por telefone ou pessoalmente vieram as confidências. Falaram de seus amores. Dos seus trabalhos. De seus filhos. De suas férias. Foi ai que ele ficou sabendo que ela era da mesma cidade que uma sua colega da Telesp.

Simpática aquela colega. Mas, ela não conhecia! Conhecia, sim, um senhor com o mesmo nome do pai da moça. Pessoa ilustre na sua cidade. Talvez, fora dado esse nome ao pai da colega em homenagem ao tal homem ilustre, que, segunda ela, uma única filha, sua conhecida, que não tinha o mesmo nome.

Ao final de poucos meses, os dois já se haviam tornados confidentes. Bem, a colega não havia sido apenas uma colega, confessou ele. Sabe como é, ela solteira, ele muito mal casado. A carne é fraca.
E assim foram se aproximando, trocando segredos, histórias íntimas ...

Haja tempo para conversas, para Declarações de amor. Até que um dia ele decidiu-se:

— Quer se casar comigo?

Solidão resolvida! Juraram amor até a morte! Ele já conhecia os filhos dela. Então ele contou para os filhos dele. Passaram a viver na mesma casa. Na dela. Cada um conheceu a família do outro e a história acabou em casamento.

Em uma das férias do trabalho de ambos, estavam passando uns dias na casa dos pais dela, quando lhes foi sugerido:

— Há uma moça que faz tempo que não a vê. Ela está morando em um sitiozinho muito agradável e pediu para você ir visitá-la, quando para cá viesse.

Ela disse com firmeza que não se lembrava dessa antiga amiga. Os pais conversaram com a tal amiga da adolescência e não se furtaram em falar que ela não se lembrou daquela amiga. A moça insistiu, citou vários encontros e várias amigas em comum. Ela não se lembrou! Mas, mesmo assim, em uma das visitas do casal aos pais dela, resolveram e foram até o sítio da amiga de juventude, que não se cansava de insistir na visita.

Lá chegando, ela não se lembrou, mas não insistiu na negativa, pois foi muito bem recebida, e a dona do aprazível sítio não cansava de citar as companheiras de infância e juventude.

Na volta para casa dela que, também foi à visita, comentou que a insistente esquecida voltou para a cidade natal depois de aposentada.

— No que a moça trabalhou?

— Sabe que eu não sei!

Naquela noite, já estavam em seu quarto, antes de dormir, ele confessou:

— Você se lembra daquela colega com a qual eu tive um breve namoro?

— Pois é, lembra-se que eu contei que ela havia nascido nesta cidade?

— Foi na casa ela que nós fomos hoje!

Ela ficou feliz! Estava certa! Nunca havia visto aquela pessoa

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Escrito por Zuleide Oliveira Monteiro de Castro