A história que eu vou contar aconteceu comigo. Até os anos de 1966,o sistema telefônico em São Paulo era precário, existiam poucas linhas e, geralmente, somente a classe alta é que tinha aparelho telefônico.

Após esse período, o governo criou o famoso plano de expansão telefônico, criando centrais telefônicas em toda a capital para atender pedidos que, segundo informações, estavam arquivados há até vinte anos. Foi uma reformulação total na empresa, foram criados muitos cargos na rede interna e externa e foi nessa época que trabalhei com uma equipe para instalar linhas telefônicas.

Durante esse período, começa a minha história. A C.T.B. enviava cartas aos futuros assinantes informando sobre a data da instalação do telefone e éramos recebidos com fogos, bandeirolas, festa de convidados e algo mais.

Em uma das visitas, ao chegarmos a uma determinada residência, havia um velório. Estranhamos, mas procuramos o dono para saber do acontecido e foi aí que veio a surpresa, segundo a esposa do falecido, ele tinha se emocionado tanto quando soube da instalação telefônica que não aguentou e faleceu.

Segundo ela, ele sempre falava que fazia tantos anos que aguardava esse telefone, que não sabia se estaria vivo para desfrutá-lo.

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Escrito por Luiz Paulo Stevanin