Era por cerca dos anos de 79 e 80, a companhia telefônica da época era a Telecomunicações de São Paulo S.A — Telesp. Os circuitos até então eram compostos por fios que interligavam as localidades.

Na região de Assis, havia um circuito interligando Assis a Florínea, cidade próxima à divisa do estado de São Paulo. Como sempre, esses circuitos margeavam as rodovias para facilitar o acesso dos reparadores executarem as manutenções, bem como os reparos emergenciais que aconteciam principalmente nos dias de chuva.

Os reparadores da época eram pessoas muito simples, formados na base da prática. Muitos se chamavam por apelidos, como “seu Lagoa”, um alagoanozinho simpático, mas muito sério que não gostava de gozações. Muito bem, naquela noite um chamado de defeito acusou que o circuito de Florínea estava interrompido, causando um curto-circuito, ou seja, os fios estavam em contato, interrompendo a comunicação.

Lá se foram os reparadores fazendo o costumeiro, tentando visualizar o circuito, mesmo na escuridão com auxilio de holofotes. Num dado momento, notaram que havia alguma coisa se movimentando por sobre os fios. Foi quando puderam visualizar que um pequeno gambá se equilibrava sobre eles, fazendo-os entrarem em curto. Com muito esforço conseguiram retirar o pequeno animal de cima dos fios e restabeleceram o sistema.

Ai então surgiu o problema, “seu Lagoa” não quis de maneira nenhuma informar à central de controle de reparos o desfecho da ocorrência. “Onde já se viu – disse ele – informar que tinha gambá na linha? Nem morto!!!”

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Escrito por Roberto Messias Mendes