A minha ignorância sobre moda nunca me abalou. Para mim roupa é para cobrir e proteger o nosso corpo, o resto é detalhe. O meu jeito de vestir agrada-me, mas incomoda amigos e familiares. Uma vez, um colega passou por mim e disse: “Santana fashion! Santana rainbow!”. Levei alguns segundos para perceber que o rainbow era pela diversidade de cores das roupas que eu estava usando, fora as nuances. Qualquer alteração na vestimenta é moda. O brega se transforma em chique e o que dizer do chique? As roupas dos personagens das telenovelas ditam a moda. É comum alguém dizer: “vou comprar um vestido igualzinho àquele que a Paola de Oliveira estava usando na novela de ontem”. “Aprendi que a moda pode até criar tendências – eu crio comportamento” disse Gogoia Sampaio, figurinista da Rede Globo.

O mundo fashion possui um vocabulário peculiar no qual a palavra “tendência” é a mais utilizada, compreendida e compreensível. Ela funciona como uma “saída pela tangente”. Eu me lembro de uma roupa lançada nos anos 60 pela estilista Mary Quant, que agradou aos profanos e foi condenada pelas sagradas. Eu me refiro à minissaia, considerada indecente, imoral, indecorosa e jamais sensual, na época. A modelo pioneira foi Twiggy. As mulheres começaram a mostrar boa parte das coxas e o homem, invejoso criou a calça baixa. Ela deixa à mostra boa parte da cueca e a calça fica dependurada na região glútea. A altura do cós fica a cargo de quem usa e, dependendo dela, o cofrinho fica à mostra.

Qual a origem dessa moda estranha? Pesquisei e encontrei duas teorias. A primeira diz que esse estilo é oriundo das penitenciárias americanas onde os presidiários têm tamanho único de roupas e não podem usar cintos devido ao perigo de enforcamentos. Depois de cumprirem penas os homens continuavam a usar a calça baixa fora dos presídios por hábito. Muitos desses homens faziam parte da cultura rapper e hip hop e expandiram o uso da calça baixa por meio da mídia. A outra também é atribuída aos presidiários que estavam "receptivos" a manter relações sexuais com outros presos. Eles precisaram inventar um sinal que passasse despercebido aos guardas ou se não eles sofreriam alguma punição ou consequência. Diante da situação, os presidiários que iriam ter relações com outros, criaram esse tipo de código visual, quem usasse calças caídas abaixo da cintura, de modo a mostrar parcialmente as nádegas, demonstrava que estava disponível.

Outro dia, fui ao supermercado fazer as compras do mês. Eu estava no setor de hortifrutigranjeiros para comprar peras. Abaixo delas, estavam as mangas. De repente, chegou uma jovem muito bonita, sarada, com sua filhinha aparentando seis anos. Ela se abaixou, quase se esbarrando em mim para escolher mangas. Ao lhe ceder o lugar para deixá-la à vontade, percebi que sua calça se abaixou demais e seu bumbum estava totalmente exposto aos olhares curiosos. A filha, ao perceber, colocou as mãos na boca tentando avisá-la e ao mesmo tempo sufocava as palavras. Meu Deus! Fiquei sem ambiente e me perguntei: olho ou não olho?

A filha correu e trouxe o pai, que parecia um armário de tão grande e forte. A cena o deixou possesso. Cheguei a pensar que ele iria lhe dar um pontapé no bumbum dela, tamanha a ira. Ele disse a ela “Ei! Levanta a porra dessa calça que a sua bunda está toda de fora! Eu falei quando saímos de casa para você não usar essa indecência que deixa o seu cofrinho de fora! Aliás, cofrinho não, cofrão! Você teima em usá-la só para me afrontar e expor-me ao ridículo.” Ele me olhou e consegui ler nos seus olhos: “Nunca viu um cofrinho na sua vida?” Respondi com meu olhar “Já vi muitos, mas desse tamanho é a primeira vez”. Já imaginou se ele for meu leitor? Esperemos pela próxima semana. O local passou a ser chamado agora de “hortifrutibundeiro”.

--
Escrito por Francisco de Santana