“Mara! Não dá tempo da gente se encontrar. Estou indo para Cabo Frio de madrugada festejar o Natal e para os festejos do réveillon e sei que você está viajando. Vou deixar as chaves da minha casa e da garagem naquele vaso de flores que fica na varanda sob algumas folhas. É só apalpar e você as sentirá. Assim que eu chegar a Cabo Frio, ligo para você. Gustavo fica enchendo a minha paciência dizendo que é perigoso. A nossa rua tem tantos militares que ladrão vai pensar duas vezes antes de tentar roubar alguma casa”.

Luiz Roberto, 19 anos, estudante, brigou com a namorada no shopping. Irritado foi ao banheiro, fez uma quebradeira, juntou os papéis, ateou fogo e fugiu em seguida. A polícia compareceu ao local, periciou e não encontrou o culpado. No Facebook, Luiz Roberto postou: “Eu sou foda cara (kkkkkkkkk), driblei seguranças e policiais que nunca saberão que quem colocou fogo nos banheiros foi eu”. No dia seguinte ao da postagem, Luiz Roberto foi preso.

É curioso ver como o Facebook mudou a vida de milhões de pessoas. Será que ele vai continuar modelando-nos? As pessoas estão expondo suas privacidades, abrindo suas casas e convidando os marginais para entrarem sem pensar nas consequências. Tornou-se rotina deparamos-nos com fotos de crianças maltratadas, violentadas, acidentes trágicos, pessoas mutiladas, animais maltratados, irresponsabilidade de pais que deixam crianças abrirem contas, encontros indesejáveis e separações conjugais. Interessante é a linguagem própria dos usuários, inimiga mortal da boa escrita e leitura. E ainda, conteúdo inapropriado, instalações de vírus danificando computadores e informações sem provas. Que nos comprove os familiares da atriz Tônia Carrero, que já foi morta várias vezes.

Enfoque interessante foi o dado pela Educadora Maria Solange Lucindo Magno: “Com o advento da comunicação e através das redes sociais como Facebook, Instagram e por último o WhatsApp, pudemos acompanhar também a modificação dos relacionamentos. É muito fácil e comum receber mensagens (geralmente já encaminhadas por outros) e vídeos, enviados por aqueles que fazem parte dos nossos contatos. E nada de um recadinho pessoal, um contato mais carinhoso, até mesmo no dia do aniversário ou em situações especiais. É cômodo assim, de maneira impessoal, dar o seu recado, esquecendo-se de que um ‘alô’, ainda que por telefone, um abraço, um olhar fazem toda a diferença. Chegará o tempo em que essa conclusão será tirada e se pensará também no tempo perdido e o distanciamento das pessoas. No momento, vemos muita gente mergulhada na solidão e suas próprias telas”.

Usuários apelam de todo jeito para tirarem proveitos. O número de perfis falsos tem aumentado em demasia. Você adiciona em sua lista amigos “fantasmas” que parecem confiáveis e que você conhece, mas, no fundo, é impossível saber quem são e o que fazem. Ana Júlia, 13 anos, adora assistir novelas da Rede Globo que tenha a presença do ator Reynaldo Gianecchini. No Facebook, ela adicionou um desconhecido de nome: Gianecchini Mineiro, 19 anos, estudante de medicina. Do cadastro aos diálogos e ao encontro. Ela quis saber o porquê do nome Gianecchini. Ele simplesmente respondeu: “semelhança física”. Ana Júlia se apaixonou. O inevitável encontro se deu no campus da faculdade. Ela se assustou quando o apaixonante Gianecchini se apresentou: baixinho, gordo, mal arrumado, feio, banguela e tinha 48 anos para mais. Ana Júlia teve sorte de não sofrer nenhuma violência física. Esse é apenas um exemplo do real perigo desta rede social, que tem seus benefícios, mas, possui seus monstros. Ela com certeza desconhecia o conselho de sua mãe: “Nunca fale com estranhos!”

Leis contra a marginalidade virtual caminham lentamente. A investigação é complexa. Um amigo policial me disse que é preciso preservar a prova para que ela se torne idônea e que para isso é necessário obter o endereço IP, que é a identidade virtual. Muitos recorrem à Justiça para obtê-lo junto ao provedor. O processo é demorado, fazendo com que na maioria das vezes a vítima desista de procurar a Polícia. A Lei Carolina Dieckman ganhou notoriedade. Ela foi proposta diante de situação experimentada pela atriz em maio de 2011, que supostamente teve copiadas de seu computador pessoal, 36 (trinta e seis) fotos em situação íntima, que acabaram divulgadas na Internet. Injúria racial de acordo com o dispositivo, injuriar seria ofender a dignidade ou o decoro utilizando elementos de raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. Crime de racismo implica conduta discriminatória dirigida a determinado grupo ou coletividade e, geralmente, refere-se a crimes mais amplos “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

A perdurar as muitas leviandades no Facebook, Mark Elliot Zuckerberg, programador e empresário norte-americano, um dos fundadores do Facebook (2004), a maior rede social do mundo também vai se arrepender do seu invento. Por tudo isso Facebook é sensacional, intrigante, extraordinário, fenomenal, fantástico e perigoso.

--
Escrito por Francisco de Santana