Diga-me com sinceridade se você nunca cometeu uma gafe. Minta para mim, mas não minta para você. Nunca perguntou sobre a “marca” daquele cachorro? Nunca pronunciou “beneficiente”? Nunca deu os “parabéns” no lugar de “pêsames”? Ou chamou o “Armando” de “Eduardo”? “Anticoncepcional” em vez de “anticonstitucional”? Nunca perguntou àquela gordinha se estava grávida? Nunca falou genra? Degrais? Cidadães? Cafezes? Nunca leu em voz alta Manteiga em vez de Mântega? Se ainda teima em dizer que não, você é um gênio, um ser perfeito.

Eu tive um gerente na empresa em que trabalhei que só dizia “menas”. Depois ele ria e corrigia: “Eu sei que é menos, mas só sai menas”. Ele recebeu o apelido de “Menas”. Nessa mesma empresa, estávamos reunidos na cozinha na hora do lanche. Conversávamos sobre assuntos variados e perto de nós o faxineiro, atento a tudo. Repentinamente, ele resolveu entrar no assunto e perguntou: “Gente! Eu aprendi no grupo escolar que antes de “P” e “B” se coloca a letra “M”. Então eu pergunto a vocês que são mais inteligentes por que “INSS” se escreve com “N”? Não satisfeito, saiu com outra: “Vocês não vão acreditar! No final da semana passada, viajei para Belo Horizonte e vi na rodovia mais de 20 caminhões da firma “Inflamavél” (isso mesmo inflamavél). Essa firma é poderosa. Ela tem uma frota muito grande e é muito rica”.

Ninguém está livre dessas mancadas. Tentar corrigir ou se explicar é complicado. Eu perdi as contas das minhas. A mais famosa aconteceu há 18 anos, pela qual sou zoado até hoje. Minha filha passara no vestibular de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal de Juiz de Fora. Fiquei eufórico. Imediatamente, liguei para saber data de matrícula e relação de documentos necessários. A funcionária me atendeu e disse: “DARA bom dia!” Respondi: Bom dia, DARA, tudo bem? Meu nome é Santana, falo de Barbacena... Dei o meu recado. Só depois vim a saber que DARA é uma sigla de um departamento.

Uma amiga confidenciou-me que fora com sua mãe a São Paulo numa bienal do livro. A mãe se aproximou dela e disse baixinho: “Vi na outra sala uma mulher com o vestido igualzinho ao meu, inclusive o sapato”. Ela voltou ao ponto inicial e percebeu que as paredes eram espelhadas e sua imagem refletida. Ambas riram.

Há semanas, li um depoimento de uma senhora de nome Marlene Limiere Dualibe, paulista, radicada em Campo Grande que se considera a “Rainha das gafes”. Dentre as muitas, escolhi duas que vou compartilhar com você para rirmos juntos.

Ao tentar impressionar a sogra, professora de Língua Portuguesa, que foi almoçar na sua casa pela primeira vez: “Eu fui mostrar meus conhecimentos e fui falar do ator Mário Lago que o nome dele simbolizava todas as águas do mundo: mar, rio e lago. Eu falei, esperei ela fazer algum comentário e como ela não falou nada eu disse: É tanta água no nome que só de falar o nome dele eu fico toda molhada. Ela olhou para mim, tentou se controlar, mas não aguentou”, relembra.

Em 2003, desempregada, Marlene saiu para distribuir currículos pelo centro de Campo Grande. Passou a tarde toda na labuta. Quando chegou em casa, descobriu que havia dado mais uma mancada. Ao invés de colocar “experiências profissionais”, inseriu no documento o tópico “experiências profissioanais”. “Meu irmão que viu e me avisou, mas ele não pode falar muita coisa porque ele escreveu no dele ‘Currículo Vital’”, relembra, caindo na gargalhada.

Gafe, mancada, fora, ato falho, rata, saia justa, vexame, não importa o nome, cabe a nós, seres imperfeitos, contar as histórias e dar boas gargalhadas. Concito-o a contar uma gafe, se não quiser dizer que é sua, diga que é do vizinho, do colega. Estou aguardando!

(Fonte: Site/ Campo Grande News – Lado B).

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Escrito por Francisco de Santana