A fundação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA tem por finalidade realizar pesquisas e estudos sociais e econômicos. Ela dá apoio técnico e institucional ao governo na avaliação, formulação e acompanhamento de políticas públicas e programas de desenvolvimento. Brasileiros opinaram sobre a violência contra as mulheres. Eis os quesitos:

*** Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas? Por mais incrível que pareça, 25% dos entrevistados concordaram.

*** Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros? 35,3% concordaram.

*** Homem que bate na esposa tem que ir para cadeia? 78% concordaram.

Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar? 58,4% discordam.

*** A mulher que apanha em casa deve ficar quieta para não prejudicar os filhos? 69,8% discordaram.

Diante das informações fui digerir as respostas indo ao centro da cidade e, coincidentemente, encontrei-me com o amigo Otávio, a quem não via há tempos. Conversamos sobre a pesquisa do IPEA e rimos muito ao relembramos de um caso ocorrido em Belo Horizonte com o amigo Adão, protagonista principal da história. Ainda questionamos sobre as possíveis respostas que ele daria a pesquisa.

Adão, respeitosamente, era um negão imenso, mãos enormes, espadaúdo, parecia um touro de tão forte. Durante a semana, trabalhava no reparo das linhas telefônicas de Belo Horizonte, como funcionário da extinta Telemig. Nos finais de semana, ele se transformava num jogador de futebol. Posição: goleiro. Era calmo, paciente, pacato, bom caráter, bem-humorado, de bem com a vida, gostava de fazer pilhérias de tudo e com todos, mesmo sem conhecer. Ninguém escapava de suas brincadeiras, banalizava uma desgraça, só para amenizar o ambiente e ver as pessoas alegres e felizes. Quando entrava em campo para jogar futebol ele se transformava num bad boy. Quem vai encará-lo? Só um louco ou quem estivesse armado.

Tarde de muito calor em Belo Horizonte. Um carro da Telemig trafegava pela Avenida Afonso Pena. Otávio era o motorista. Ao seu lado, Adão todo alegre, serelepe, contando casos, piadas e às vezes, cantarolava:

“Tire suas mãos de mim/eu não pertenço a você/não é me dominando assim/que você vai me entender/eu posso estar sozinho/mas eu sei muito bem aonde estou/você pode até duvidar/acho que isso não á amor...”

Repentinamente, a cantoria para. Adão, com os olhos esbugalhados grita e gesticula para que Otávio diminuísse a velocidade do carro. Assustado e sem entender nada, Otávio obedece e lhe pergunta: “O que está acontecendo?” Adão lhe aponta para uma pizzaria, cheia de garotas bonitas na calçada tomando refrigerantes, sorvetes e comendo os burgers da vida. O carro diminuiu a velocidade, quase parando. Ao passar pelas garotas Adão não se conteve e com a cabeça do lado de fora do carro gritou com todas as forças dos seus pulmões: “GOOOOSSSSTOOOO................” (Uai cadê o final da palavra?). Coitado do Adão, a palavra gostosa não se completou. A sua dentadura fora arremessada para fora do carro caindo pertinho das jovens de corpos sarados dentro de roupas atraentes. Ele ficou possesso dentro do carro e pedia insistentemente para que Otávio parasse o carro. Otávio não entendia nada do que Adão estava falando ou, tentando falar. Chegou a pensar que ele estivesse passando mal, tendo um acidente vascular cerebral ou infarto. As palavras saíam desconexas e incompreensíveis. O carro parou e Adão desceu alucinado. Correu que nem um velocista, mais que o jamaicano Usain Bolt, até a pizzaria tapando a boca com a mão, preocupado com a aparência. No meio de muitos guardanapos, copos e tubinhos plásticos e casquinhas de sorvetes, Adão conseguiu localizar a dentadura, dividida em vários pedaços. Cuidadosamente ele juntou caco por caco sob os olhares de nojo das jovens que diziam: “Eca! Cruzes! Que nojeira! Aiiiii!” Uma delas jogou para longe uma sacola cheinha de batatas fritas e se segurou para não vomitar. Adão voltou para o carro, sério, sisudo, mudo e foi diretamente para um protético para restaurar a sua dentadura.

É impressionante o desenvolvimento da tecnologia no campo odontológico. São novas descobertas, novos tratamentos, tudo em prol de um sorriso bonito e uma boa saúde bucal. É gel que dissolve cáries, hipnose para substituir anestesia e acupuntura para reduzir a ansiedade dos pacientes. Em muitas clínicas, o motorzinho e a seringa de anestesia são peças de museu. Quem ainda não ouviu falar do clareamento dos dentes? Já é possível sair de uma clínica com os dentes brancos em duas horas. O que dizer dos implantes, protocolos, over dentures? Adeus às dentaduras! Hoje é possível reabilitar uma pessoa totalmente desdentada em até 72 horas. Pode-se controlar a dor e ansiedade do paciente com anestesia computadorizada. Com novos recursos, o tratamento de canais ficou menos doloroso, mais seguro, eficaz e mais fácil de ser executado pelo dentista. Tudo isso provoca alegrias, felicidades e principalmente a elevação da estima.

Se o meu amigo Adão conhecesse esses recursos não passaria a vergonha que passou.

--
Escrito por Francisco de Santana