Ao preencher um cheque um homem parou de escrever e pensou: “Como se escreve 60,00 por extenso? Com dois “SS”? Um “S”? Ou seria com “SC”?” Ele então rasgou o cheque e preencheu dois de 30,00.

Abrindo o meu Facebook deparei-me com o seguinte depoimento de uma conhecida: “O término do nosso romance é como aquele vaso de porcelana que caiu e se espatifou no chão se transformando em dezenas de cacos. Pacientemente eu o refiz, mas as marcas ficaram. Isso quer dizer que lhe concedo o perdão, mas não esqueço o mal que você me causou”. De imediato as colegas vieram consolá-la. Dez comentaram: “Fato”. Outras dez cansadas do “fato” comentaram: “É vero”. A vigésima primeira cansada de “fato” e “È vero” postou o seguinte comentário: “É issaí amiga homem não merece consideração. Agente é boba em acreditar neles. É só decepssão. Todo homem é igual, incorrijível e não tem concerto. Vamos falar de coisas boas e deixar as ruins de lado. Gostei do seu convite para ser minha amiga no face. Seja benvinda? Inté!”

Isso é altamente contagioso. Alerta geral. Depois dos episódios ocorridos na penitenciária do Maranhão onde ocorreram várias mortes de presos, circulou pelo Facebook uma “Petissão” pedindo o impeachment da Governadora Roseany Sarney. Fico a imaginar o conteúdo dessa tal “petissão”. Não assino.

Nessa semana um fato ocorrido na região do ABC Paulista chamou a atenção da população brasileira. A circulação no Facebook foi imediata. Um pastor evangélico foi flagrado por câmeras de segurança agredindo o próprio cachorro. As cenas mostram ele chutando e dando socos no animal. Moradores do prédio entregaram as imagens para representantes da ONG Defesa Animal. Moradores afirmam que não é a primeira vez que isso acontece. Ele às vezes deixava o cachorro sem água e sem comida. Uma internauta curtiu a notícia. Uma terceira criticou a curtição. Abriu-se um debate. A curtida foi para a colega que publicou a reportagem, para o conteúdo dela ou para a ação absurda do pastor? Nessa briga não opino.

Pablo Neruda disse: “Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias”. Para evitar erros ou diminuí-los podemos recorrer aos dicionários, Google, professores e amigos entendidos. Eu utilizo todas as ferramentas possíveis e imagináveis. Do meu tempo de aluno de jornalismo, guardo com carinho e hermeticamente fechado na mente um caderno que contém regras básicas para escrever textos concisos, compreensíveis e seguros. Tento fazer. A professora responsável se chama: Rozimar Gomes da Silva Ferreira, sinônimo de sabedoria, inteligência, competência e grandeza espiritual. O seu poder de aglomerar um grupo heterogêneo nos levou a grandes feitos. De simples acadêmicos ela nos transformou em atores exigindo seriedade e rigor nas interpretações. Ela me ensinou que devemos evitar escrever palavras, frases, parágrafos e textos longos. Que na dúvida, ponto. Que frases cheias de vírgula pedem um ponto. Ela valorizava o conteúdo do texto dizendo-nos: “Por favor, não digam nem mais nem menos do que você precisa dizer e cortem palavras, usem sinônimos ou mudem a frase”.

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Foram inúmeras as frases célebres que nos levavam a refletir e colocar em prática nos textos. Eis algumas: ” Entre duas palavras, escolha sempre a mais simples. Entre duas palavras simples, escolha a mais curta”. (Paul Valéry poeta francês), “É preciso descascar o texto como quem descasca uma fruta, ir buscar a semente, Escrever é principalmente cortar” (Fernando Sabino), “Corto adjetivos, advérbios e todo tipo de palavra que está lá só para fazer efeito” (Georges Simenon escritor belga). “Uma palavra posta fora do lugar estraga o pensamento mais bonito” ( Voltaire escritor francês). “O que é escrito sem esforço é geralmente lido sem prazer” (Samuel Johnson). “Reescrevi trinta vezes o último parágrafo de ´Adeus às Amas` antes de me sentir satisfeito” (Ernest Hemingway). Ela sempre terminava seus pensamentos com a frase: “Tenham pena dos leitores”.

A importância do Facebook é indiscutível. Disso ninguém duvida. Precisamos saber utilizá-lo para nosso bem e jamais para o mal. Que ele preste serviços e nunca um desserviço à população. Que seu fundador ou criador pense diferente de Mikhail Kalishinov, o inventor da AK 47, que se arrependeu da sua invenção, e disse: "Preferia ter inventado uma máquina que ajudasse as pessoas, e não que as matassem - como um simples cortador de grama". Albert Einstein entristeceu-se ao ver as consequências desastrosas da bomba nuclear, e, uma semana antes de sua morte, relatou esse fato em uma carta escrita a Bertrand Russel, na qual pedia que seu nome fosse colocado numa petição clamando para que a produção de armas nucleares fosse abandona. Santos Dumont, o inventor brasileiro considerado pai da aviação, ao ver sua criação sendo utilizada como arma de guerra, também se arrependeu.

Pérolas lidas há pouco no Facebook ilustram o término dessa crônica:

“Todos os produtos desta mesa contém GLÚTEOS em sua composição!”

Que abundância!

“A palavra é prata. O CILÊNCIO é outro”.

Como estamos no ano da Copa leiam essa:

“Abasteça 20 litros e concorra à uma camisa oficial da seleção Rumo ao ÉQUIÇA Brasil.

“Brigado meu Deus por mostra a realidade da vida para min porque nigue nesta vida consegue agrada 100 posento se o senhor não conseguio porque eu teria que agrada alguel seija o milde e sinpis que voceis alcasará o dezeijado”

Não foi fácil redigir essa crônica. Acredite!

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Escrito por Francisco de Santana