Então... Graham Bell contou a dom Pedro II que acabara de patentear um mecanismo capaz de transmitir a voz humana, que carecia de ajustes e aperfeiçoamento. Ele pediu a dom Pedro II que se postasse a uma distância de cem metros e mantivesse junto aos ouvidos uma pequena concha metálica conectada a um fio de cobre. No extremo oposto da fiação ele pronunciou as seguintes palavras, retiradas da peça Hamlet, de William Shakespeare:

— To be or not to be (Ser ou não ser).

— Meu Deus, isso fala! – exclamou dom Pedro II. – Eu escuto! Eu escuto!

Assim nasceu o telefone, a maior de todas as novidades apresentadas na Exposição Universal da Filadélfia em 1876.

Ele se aperfeiçoou trazendo-nos alegrias, encantamento, tristezas e raivas. Cada um de nós tem histórias para contar sobre o invento de Graham Bell. Quando as Teles colocaram à disposição dos seus clientes o serviço “130” que fornecia a hora certa, foi um espetáculo. Todos queriam estrear o serviço.

A amiga Conceição tirou o fone do gancho, discou 130 e disse: “Minha senhora! Bom dia! Por gentileza eu gostaria de saber as horas?” Ouviu como resposta: “9h30, 9h31, 9h32, 9h33”. Entusiasmada Conceição disse: “Obrigada pela atenção!” E saiu retrucando: “Que mulher mais mal educada! Nem esperou o final do meu cumprimento e já estava me dizendo as horas. Como ela sabia que eu iria perguntar isso? Ainda pensou que eu fosse surda! Foi falando as horas sem parar. Parecia um robô. Eu a agradeci pela atenção e ela nem respondeu. É por isso que eu falo: muitas repartições perdem a credibilidade por colocarem pessoas inexperientes e mal educadas trabalhando.”

Tornou-se corriqueiro um golpe denominado: sequestro por telefone. Ele é muito conhecido e as autoridades de segurança nos ensinam como resolvê-lo sem danos patrimoniais preservando a vida. Mesmo assim a incidência é grande. Ele funciona assim: os criminosos ligam para a vítima contando que um familiar seu foi sequestrado e que, se não for depositada uma quantia, normalmente entre dois a dez mil reais, imediatamente, será ferido ou morto. Em alguns casos os golpistas solicitam também o fornecimento de um número de códigos de cartões de recarga para celulares pré-pagos (servem para os presos se comunicarem desde os presídios). O desempenho teatral dos golpistas muitas vezes inclui gritos no fundo do telefonema e fornecimento de detalhes da pessoa supostamente sequestrada para assustar e convencer o interlocutor a pagar rapidamente. É preciso estar atento e forte.

É comum também recebermos diariamente telefonemas de promoções de vendas de revistas, internet, bancos fornecendo cartões de crédito, operadoras de telefonia celular oferecendo serviços, contribuições para entidades filantrópicas e cartões promocionais de lojas comerciais. Haja paciência!

Ontem o meu telefone bateu o Recorde, tocou o dia todo. Numa delas era uma ligação a cobrar. Como não atender se tenho filhos residindo fora de Barbacena?

Trimmm! Trimmm! Trimmmm! Atendi.

- Santana, bom dia!

- É da casa do Romeu?

- Não!!! Aqui é da casa do Santana!!!

- Pô... você estragou a brincadeira. Eu queria que você perguntasse que Romeu para eu dizer: Aquele que te Fo...!

Pelo timbre era uma voz feminina e de criança. A safadinha deu uma gargalhada e desligou o telefone. Parabenizo-a pela rima rica, substantivo com verbo.

Outra ligação.

Trimmmmm! Trimmmm! Trimmm! Atendi.

— Santana boa tarde!

— Quem?

— Santana!!!

— Eduardo?

— Não, meu senhor, aqui é Santana.

— Eduardo Santana?

— Não, meu senhor, Francisco de Santana, aqui não tem nenhum Eduardo.

— Qual é o número do seu telefone, por favor?

— 3331-0000. Vou repetir pausadamente: 3 3 3 1 – 0 0 0 0. Entendeu?

— Que estranho! Esse telefone consta para mim como sendo do Eduardo. Esse telefone está com o senhor há muito tempo?

— Sim! Eu o tenho há mais de 30 anos e sempre com este número.

— Então não é da casa do Eduardo?

— Não senhor é da casa do F R A N C I S C O D E S A N T A N A.

— Esse telefone é residencial ou comercial?

— Estritamente residencial, sempre foi.

— Eu precisava entregar uma encomenda ao Eduardo, um caminhão de papel para serviços gráficos e na minha agenda consta exatamente o número do telefone que o senhor me passou, 3331-0000.

— Lamento, mas não conheço nenhum Eduardo e volto a repetir que esse telefone está comigo há mais de 30 anos. Ele é do tempo da Telemig.

— Telemig! Qual o significado dessa sigla?

— Telecomunicações de Minas Gerais, Sociedade Anônima.

— MINAS GERAIS??? De que cidade o senhor está falando?

— Eu falo de Barbacena. Cidade que fica na região metalúrgica, vertentes ou zona da mata, como queira. Também conhecida como Cidade das Rosas, dos doidos, dos buracos, dos morros, do trânsito sem sinalização e etc.

— Barbacena, Minas Gerais? Orra meu! Estou em Suzano ligando para o Eduardo que mora em São José do Rio Preto, São Paulo!

E o filho da mãe desligou o telefone na minha cara sem ao menos, se desculpar. Se o diálogo persistisse eu teria mudado de nome. Eu me chamaria Eduardo Santana.

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Escrito por Francisco de Santana