Na manhã do dia 11/1/16, saí para pagar o meu IPVA. Agência dos Correios: lotada. Banco do Brasil: impraticável. Agência lotérica: suportável. Na fila, fiquei entre dois jovens senhores que dialogavam sobre assuntos atuais, diversificados, interessantes que me forneceram subsídios para escrever esta crônica. Masoquistamente eu torcia para que a fila não andasse para sorver o máximo de informações de ambos e sorri maliciosamente quando a atendente disse: “O sistema saiu do ar, mas volta rapidamente”. Diálogos captados.

— Já se tornou um ritual ao me levantar, ligar o computador e me inteirar das notícias. Acho que os sites visitados deveriam abrir um espaço para obituário. Como tem morrido artistas e celebridades nesses últimos dias. Minha mãe se irrita comigo quando digo que nesse país só não morre político e que até a morte os teme. Ela diz que isso atrai coisas ruins para mim.

— Verdade! Eles são imunes a doenças do corpo e da alma. Minha mãe é jovem, tem apenas 52 anos, cuidadosa com sua saúde, faz exames médicos periodicamente, se alimenta com qualidade, caminha, corre, malha e nada. Há dois meses durante o café matinal ela foi se levantar da cadeira, trançou as pernas e caiu. Resultado do tombo: bacia trincada, luxação no ombro esquerdo, rompimento do tendão de Aquiles e quatro dias internada. Enquanto isso, o ex-presidente e ex-senador José Sarney, 85, levou um tombo na casa de veraneio, Raposa (MA), ao tentar colocar um calço em uma porta da casa. Ele se desequilibrou e caiu sobre o braço machucando o antebraço e o ombro, fez exames, não chegou a ficar internado e passa bem.

— Por falar de político, de tanto persistir já estou começando a torcer para que o Deputado Eduardo Cunha não perca o seu mandato de Deputado Federal e a presidência da Câmara. Que homem teimoso, ardiloso e persistente! A qualquer momento ele vai dizer: “Daqui só saio morto!” Sendo assim, não vai sair nunca.

— E a nossa saúde? Está de mal a pior, a coisa aqui está preta. Que estrago está fazendo esse tal de Aedes aegypti. Ele é o responsável pela epidemia de dengue, Zika vírus e Chikungunya. Para preveni-lo, recomenda-se o uso de repelente e absurdamente as farmácias, comandadas por abutres, têm aumentado em até 65% os preços dele. Que absurdo! Mesmo com a massificação da propaganda pela mídia, a população faz de tudo para proliferar o aparecimento e crescimento do mosquito causador de tantos males.

Outro absurdo. O carnaval está chegando e as perspectivas não são boas. Nessa festa o folião fica com pouca ou sem roupa, um convite para as picadas. Acho insano e irresponsável o Prefeito, sabedor desses perigos, liberar verbas para a realização da folia carnavalesca em sua cidade. É uma temeridade.

— Penso que para combater esse mosquito malvado, que tem causado tantos males à nossa população como a microcefalia, faz-se necessário higiene e vigília. Para esse mal a gente sabe como combater, pior é combater o “Aedes politicus brasilis corruptus” que ainda não descobriram um remédio eficaz. Existe um que se chama VOTO e que a população não parece acreditar nele. Mudando de assunto. O que está achando das dezenas de semáforos que estão sendo colocados em Barbacena? Disseram-me que numa avenida não tão grande colocaram oito. Será verdade?

— Não posso opinar o que ainda não aconteceu. Eu seria leviano em dizer que os profissionais do trânsito estão errados. E se der certo? Vamos esperar para ver. Eu só acho que Barbacena está feia, todos estão dizendo isso. Ruas esburacadas, casas malconservadas, passeios quebrados, bairros sem infraestrutura, sem higienização, sem esgoto, sem calçamento, sem iluminação, matagais – verdadeiros mananciais para proliferação de ratos, cobras e outros bichos.

— Você acredita na democracia? Num Brasil melhor, mais justo?

— Não. A nossa história nos mostra que desde o seu descobrimento, reina por aqui o desmando e a corrupção. Ela nos mostra também que entidades importantes como: Maçonaria, Igreja, OAB, Sindicatos, Estudantes e outros sempre estiveram ao lado do povo para combater a arbitrariedade, desigualdades sociais, clamando por justiça, segurança e educação. Cadê essa ajuda? A maçonaria barbacenense fez ano passado uma passeata e apresentou para nossa sociedade um projeto contra a corrupção. Achei a iniciativa interessante e até a divulguei para meus familiares e amigos. Desde esse dia não se tocou mais no assunto. Será que ficou engavetado, como tudo nesse país?

Com todos atendidos os “causos” acabaram, ficando seus conteúdos para análises profundas. Convido você a participar de uma corrente solidária para juntos combatermos esse outro mosquito perigoso que se chama: “Aedes politicus brasilis corruptus”. Sua picada, quando não mata, aleija.

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Escrito por Francisco de Santana