Ontem, quinta-feira, 15/01/15, veio à minha casa um colega dos tempos de Telemig. Ele tocou a campainha e eu o atendi. Ao se deparar comigo, percebi que ele ficou desnorteado, sem ação e com o semblante tenso, modificado. A transformação foi nítida. Eu o cumprimentei e ele gaguejando falava de assuntos desconexos e sem terminá-los. Algo estranho pairava no ar. De repente, ele resolveu se abrir: “Santana, cheguei lá em casa há pouco e minha esposa me disse que ficou sabendo que o Francisco ou Chiquinho meu amigo da Telemig morrera. Passando pela sua rua resolvi saber como você está e, graças a Deus, percebo que está tudo bem, só engordou bem. Acho que quem morreu foi o outro Francisco”. Faz sentido tudo que eu notara no colega. Na empresa éramos três Franciscos, agora só restam dois.

Depois que ele se foi, pensei muito sobre o mistério da morte. São tantas informações que a gente se perde nelas. Há vida após a morte? Se tiver como faço para comunicar-me com meus familiares? Quanto tempo e energia você despendeu ao examinar seus sentimentos, suas crenças, esperanças e temores sobre o fim de sua vida? Que aconteceria se lhe dissessem o dia exato da sua morte? Isso mudaria sua forma atual de encarar a vida? Existem coisas urgentes que você gostaria de fazer antes de morrer? Você tem medo de morrer? Você pode identificar as origens desse seu medo? O Espiritismo nos conforta colocando os médiuns que fazem o papel de interlocutores ou ponte que intermediará o encontro da matéria com o espírito. Esse é o típico assunto que me deixa deprimido, pois não estou preparado para morrer. A vida é boa, curta e fazemos de tudo para complicá-la. Hoje, eu olho o meu passado e percebo quanta coisa deixei de fazer por picuinhas.

“A morte é um tema evitado, ignorado e negado por nossa sociedade adoradora da juventude e orientada para o progresso. O fato, porém, é que a morte é inevitável. Todos nós morreremos um dia, é apenas uma questão de tempo. Ela na verdade, é tão parte da existência humana, do seu crescimento e desenvolvimento, quanto o nascimento. É uma das poucas coisas na vida de que temos certeza. A morte estabelece um limite em nosso tempo de vida e nos impede a fazer algo produtivo nesse espaço de tempo, enquanto dispusermos dele. Tudo que se foi, se é e se fez culmina com a morte. Não precisamos nem devemos esperar que ela bata à nossa porta para começarmos realmente a viver. Se podemos começar a encarar a morte como companheira invisível, então podemos
aprender a viver a vida e não apenas passar por ela.

O fato de morrer jovem ou mais velho é menos importante do que ter vivido intensamente os anos que se teve. Uma pessoa pode viver mais em 18 anos do que outra em 80. É preciso viver cada dia como se fosse o único, encontrar um sentido de paz e força que combata as decepções e dores da vida, ao mesmo tempo em que é preciso esforçar-se por descobrir veículos que tornem mais acessíveis, aumentem e alimentem as alegrias e suas delicias’.

Se você se preocupar com o passado sofrerá de frustração. Se preocupar com futuro sofrerá de ansiedade. Então, se preocupe com o AGORA, viva-o com intensidade e descubra o que o entusiasma, porque ninguém pode fazê-lo por você!

As pessoas costumam prejulgar a causa dos que acabaram de morrer. Os comentários são infundados e muitas vezes levianos. É mais fácil acreditar numa mentira bem contada do que acreditar numa verdade bem fundamentada. Detalhes a pensar: quando morre um jovem, imediatamente, se pergunta se foi por acidente ou pelo uso abusivo de drogas. Se passou dos 55 anos, afirma-se categoricamente que ele morreu pelo excesso de Viagra. O ser humano na ânsia de opinar, legisla, julga e sentencia.

Você pode ter uma vivência pecadora cheia de defeitos, basta morrer para se transformar num homem bom e virtuoso. A morte tem o efeito de purificar as pessoas.

(Fonte: Livro, MORTE Estágio Final da Evolução de Elisabeth Kubler-Ross).

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Escrito por Francisco de Santana