O brasileiro é um ser bem humorado, faz piada de tudo, não leva nada a sério, um masoquista por excelência. Apanha e sorri, parece um João teimoso, paga altíssimos impostos e reelege candidatos mal-intencionados. A mídia televisiva e os comícios exibiram candidatos que são verdadeiros humoristas. Após os debates fica na mente a expressão: me engana que eu gosto. Como são engraçados! Um candidato em especial mereceu a minha atenção: Francisco Everardo Oliveira Silva, 45 anos, comediante de TV e palhaço de circo, atende pelo apelido de Tiririca. Filiado ao Partido Republicano, candidatou-se a uma vaga para Deputado Federal, usando os slogans: “Vote no abestado” e “Vote no Tiririca, pior que tá não fica!” Tiririca elegeu-se com mais de um milhão de votos.

Os perdedores lutam nos tribunais para impugnar sua diplomação alegando ser ele analfabeto, portanto, inelegível. Eis o que é analfabeto: “que não conhece o alfabeto. Que não sabe ler e escrever. Absolutamente ou muito ignorante. Que desconhece determinado assunto ou matéria. Indivíduo ignorante, sem nenhuma instrução”, assim define Aurélio Buarque de Holanda. Tiririca é eleitor, brasileiro, está em pleno exercício dos seus direitos políticos, possui domicílio eleitoral na circunscrição, é filiado a um partido político e possui idade mínima que é de 21 anos para se candidatar ao cargo de Deputado Federal. No Brasil, se concede o título de eleitor aos 16 anos e o cidadão não é obrigado a votar, mas com 18 anos o é. Votar deveria ser facultativo, pois como está parece manipulação.

Não podemos generalizar o analfabetismo. Vamos examinar juntos alguns tipos:

O analfabetismo absoluto: é aquele que recebeu pouca ou nenhuma instrução para aprender a ler e escreve. Muitos nem sabem assinar o próprio nome.

O iletrismo: não há compreensão do que se lê. Esse problema atinge todas as camadas da sociedade e está ligado a um ensino falho recebido na escola.

O analfabetismo funcional: a pessoa consegue ler e escrever frases curtas, mas não tem noção de seu significado. Ela conhece as letras, mas não o que elas querem dizer.

O analfabetismo tecnológico: a pessoa não possui informações necessárias para operar computadores e outras ferramentas tecnológicas. O governo tem criado programas de incentivo para combater o problema, promovendo a chamada inclusão digital.

Diante do exposto eu lhes pergunto: quem são os verdadeiros analfabetos:

O Tiririca que estava totalmente legal para se candidatar?

Os legisladores que ao elaborarem as leis deixaram brechas para o Tiririca entrar?

Os mais de 1 milhão de eleitores que votaram no Tiririca dizendo que os votos eram de protesto?

Ou somos nós que gostamos de brincar com coisa séria e depois que vemos a besteira feita tentamos anular?

Falta-nos seriedade, consciência, responsabilidade, juízo e senso de cidadania. Analise detalhadamente os políticos eleitos e verá que pouco se modificou. Reclamamos que quem esteve lá não fez nada e de repente os elegemos para uma nova legislatura. É como diz o repórter esportivo, da Rede Bandeirantes de Televisão, Neto: “Isso é brincadeira!” Para ser um cidadão honrado e justo, será que é preciso saber ler e escrever? É fácil ser eleitor no Brasil, difícil é escolher candidatos fiéis aos compromissos sociais. Há inúmeros políticos letrados, doutores e de notório saber político e sociológico e nem por isso fazem leis beneficiando a sociedade. Concordo quando você diz que o Tiririca é uma titica que vai se unir às demais.

A mãe do ditador boliviano Enrique Penaranda disse arrependida:

“Se eu soubesse que meu filho ia ser presidente, eu o teria ensinado a ler e a escrever”.

Será que existe mãe de algum político brasileiro que pense assim?

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Escrito por Francisco de Santana