Nunca uma opinião doeu e incomodou tanta gente como as ditas pela jornalista Raquel Sheherazade, apresentadora do telejornal SBT Brasil. Ela diz o que pensa à população brasileira, que a aplaude e a idolatra. Os temas abordados são fortes, polêmicos e discutidos. Como jornalista de um telejornal de grande repercussão nacional, ela é uma transformadora de opiniões. Por que tanta celeuma? Um adolescente foi espancado e preso nu pelo pescoço a um poste com uma trava de bicicleta por homens no Rio de Janeiro, acusado de praticar roubos e furtos. Ela comentou: “O marginalzinho amarrado ao poste era tão inocente que, ao invés de prestar queixa contra seus agressores, preferiu fugir antes que ele mesmo acabasse preso. É que a ficha do sujeito está mais suja do que pau de galinheiro”.

Ao ser entrevistada, Raquel disse: “Não sou a favor da violência, estou do lado do bem, sou uma ferrenha crítica da violência. Defendo as pessoas de bem que foram abandonadas à própria sorte porque não há polícia e segurança pública. Não defendi a atitude do justiceiro, defendi o direito da população de se defender quando o Estado é omisso. Todo cidadão tem o direito de prender um meliante. Não se pode confundir um direito com a barbárie. Não defendo a violência, defendo a paz e a segurança". A declaração repercutiu mal entre os políticos. O Deputado Ivan Valente do PSol (SP) disse que o SBT e a jornalista fizeram uma apologia ao crime em horário nobre. “Esta espécie de fascismo televisivo que prolifera pelas TVs precisa de um freio que passa pela democratização da mídia e pelo controle social. A mesma jornalista, Rachel, que apoia o linchamento de jovem negro e pobre, defende as estripulias do astro Justin Bieber como coisa de adolescente”.

O site Congresso em Foco diz que o governo federal estuda suspender a verba publicitária que repassa à terceira maior emissora de TV do país, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT). O caso é examinado pela equipe do ministro Thomas Traumann, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, a pedido da líder do PCdoB na Câmara, Jandira Feghali (RJ). A Deputada acusa a emissora de ter praticado apologia e incitação ao crime, à tortura e ao linchamento ao exibir comentários da apresentadora Rachel Sheherazade que, segundo a parlamentar, exaltavam a ação de chamados “justiceiros” no Rio de Janeiro contra um jovem de 16 anos, acusado de furto. “A Secom me deu um primeiro retorno dizendo que concorda com o conteúdo do nosso pedido e que estuda quais providências tomar”, disse Jandira.

Chico Buarque tem razão quando diz: “A coisa aqui está preta”. A opinião de Raquel desagradou muita gente, inclusive colegas de trabalho que a criticam de fazer jornalismo incitando a violência. Há quem defenda o boicote ao SBT e que exclua os amigos que compartilham dos vídeos com a opinião da jornalista. Seria Raquel responsável pelo que escreve? Seria ela uma âncora? O termo âncora (anchorma) surgiu em 1948 nos Estados Unidos para definir o profissional que centralizava todas as informações de uma cobertura jornalística. O termo foi se difundindo e se consolidando como o principal mediador dos telejornais, através dos quais as notícias seriam difundidas. O papel de âncora no telejornalismo brasileiro começou a tomar forma a partir de Boris Casoy, que implementou um novo tipo de jornalismo. O apresentador inova, modifica o estilo clássico da apresentação fazendo comentários sobre as notícias anunciadas. Se Raquel não é âncora, a responsabilidade é dos editores do SBT. A emissora se defende dizendo que a opinião é de total responsabilidade da jornalista e que respeita livre arbítrio de seus comentaristas.

O sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro manifestou-se contra “a grave violação de Direitos Humanos e ao Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros” representadas pelas declarações da âncora. Adeptos dos Direitos Humanos perguntam o que a jornalista Raquel Sheherazade pretende com esse discurso maluco, criminoso e mentecapto. Ganhar ibope? Para muitos, ela é agitadora e bandida. E que, o que ela traz de dentro de si não é justiça, e sim vingança. Um amigo enviou-me uma mensagem bastante apropriada e vou dividi-lo com você.

“A Folha de São Paulo, hoje, publica carta minha, onde ironizo os “baluartes” dos Direitos Humanos. Agora, com o morticínio de presos no Maranhão, jornalistas e intelectuais “engajados” escrevem e opinam copiosamente sobre a questão carcerária e os direitos fundamentais. São como urubus, não podem ver uma carniça.

Quando eu era Juiz da Infância e Juventude em Montes Claros, norte de Minas Gerais, em 1993, não havia instituição adequada para acolher menores infratores. Havia uma quadrilha de três adolescentes praticando reiterados assaltos. A polícia prendia, eu tinha de soltá-los. Depois da enésima reincidência, valendo-me de um precedente do Superior Tribunal de Justiça, determinei o recolhimento dos “pequenos” assaltantes à cadeia pública, em cela separada dos presos maiores.

Recebi a visita de uma comitiva de defensores dos Direitos Humanos (por coincidência, três militantes). Exigiam que eu liberasse os menores. Neguei. Ameaçaram denunciar-me à imprensa nacional, à corregedoria de justiça e até à ONU. Eu retruquei para não irem tão longe, tinha solução. Chamei o escrivão e ordenei a lavratura de três termos de guarda: cada qual levaria um dos menores preso para casa, com toda a responsabilidade delegada pelo juiz.

Pernas para que te quero! Mal se despediram e saíram correndo do fórum. Não me denunciaram a entidade alguma, não ficaram com os menores, não me “honraram” mais com suas visitas e os menores ficaram presos. É assim que funciona a “esquerda caviar”. (ROGÉRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA, desembargador Belo Horizonte/MG).

(Fonte Sites/Internet).

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Escrito por Francisco de Santana