O conteúdo do “Curso de autoconhecimento e mudança interior”, da Equipe Divina Ciência, é esclarecedor, profundo e excelente para meditação. Os temas são palpitantes e destaco entre eles: O que morre em nós e o que não morre, Os sete centros da máquina humana, O sentido da auto-observação, Técnica para relaxamento, O morrer psicológico, A técnica do saltinho, Conduta gregária, O nível do ser, O terrível defeito da ira, Como desenvolver a concentração, A meditação, dentre outros palpitantes. Nesse trabalho, vou abordar o tema Conduta Gregária, que é a “tendência que tem a máquina humana de estar misturada com as outras sem distinção e sem controle de espécie alguma. Vejamos o que se faz quando se está em grupo ou entre a multidão. Estou seguro de que bem poucas pessoas se atreveriam a sair na rua e jogar pedras contra alguém. No entanto, em grupo o fazem. Alguém pode infiltrar-se numa manifestação pública e ficar exaltado por causa do entusiasmo. Terminará jogando pedras junto com a multidão ainda que depois venha a se perguntar por que o fez. O ser humano comporta-se de forma diferente quando em grupo e faz coisas que nunca faria sozinho. A que se deve isso? Deve-se às impressões negativas às quais abriu as portas. Assim, termina fazendo o que jamais faria sozinho”.

Para um entendimento melhor vamos exemplificar: “Quando uma pessoa vem a nós e começa a falar maldades sobre outra pessoa. Se não estamos atentos começamos a falar mal desta pessoa também, ainda que até aquele momento não tivéssemos nada contra ela ou talvez nem a conheçamos. O caso de uma pessoa que vive em um ambiente onde existem muitos criminosos, e essa pessoa permanece nesse ambiente abrindo as portas a todas as sugestões e emoções negativas e acaba também se tornando uma criminosa. As inúmeras cadeias que existem nos mostram exatamente isso, pois servem mais como uma escola para criminosos do que como centros de reabilitação. Outro caso comum é o comportamento de muitas torcidas em campos de futebol, onde em grupos, se envolvem em todo tipo de atitude negativa, como atos de violência, consumo de drogas, vandalismos, etc. Os meios de comunicação, em especial a televisão, em muito contribui para motivar a conduta gregária, pois em várias ocasiões promove através de programas, filmes e novelas a distorção dos valores morais, banalizando comportamentos antes considerados abomináveis, como a violência, o adultério, a desonestidade, o crime, etc. Por isso precisamos estar muito atentos a todo tipo de emoção e sugestão que nos trazem. Não aceite nada sem antes analisar se isto contribuirá com algo positivo e moral em sua vida”.

É uma prática comum cidades programarem-se para que em determinados meses aconteça o tradicional “carnaval fora de época”. A cada ano, prefeituras e empresas melhoram o desempenho desses eventos colocando arquibancadas dignas, banheiros químicos, assessorias de comunicação, marketing e artistas de grande aceitação popular. Muitas já estão incluídas no calendário de festas anuais. As cidades abrem suas fronteiras e se enchem de turistas. O faturamento é grande, pois além da movimentação financeira, hotéis, restaurantes e bares ficam sempre lotados. Em Ubá, esse evento acontecia no mês de abril e o festejo se denomina Sanatório Geral. Eu tive o privilégio de assisti-lo três vezes. A “Cidade Carinho” superlota e a população dobra. É uma loucura geral (sem trocadilho). Mais de 20 mil pessoas invadem as ruas para beber, brincar, pular, dançar e se divertir. São três dias de muita alegria e animação ao som de trios elétricos e de cantores famosos.

Um em particular chamou a minha atenção. Ele aconteceu no ano de 2001 e mereceu o meu destaque por uma “condução gregária”. Sobre o trio elétrico exibia-se o famoso conjunto baiano Braga Boys, deixando os foliões eufóricos. O sucesso do momento era a música Bomba. Um verso dizia assim: “o movimento é sexy, o movimento é sensual, abaixa, assim, assim...”. Um componente do conjunto fazia a coreografia e se abaixava até chegar ao chão. “Abaixa assim, assim, assim, assim...” Ele abaixou tanto que o corpo ficou desconfortável dentro de uma calça branca justíssima. Ao levantar, ele ajeitou o “saco” várias vezes para acomodá-lo dentro das calças, sacudindo-o. A massa enlouquecida entendeu que aquele gesto era coreografia e o imitou. Na praça, centenas de foliões balançam o “saco”, inclusive muitas mulheres sem tê-lo. Ficou bonito este gesto sexy e sensual. O artista percebeu, comentou com os demais e repetiu a cena muitas outras vezes. E todos descendo à Beira Rio cantando e sacudindo o saco: “o movimento é sexy, o movimento é sensual, abaixa assim, assim, assim...”

(Fonte de pesquisa: Apostila do Curso de autoconhecimento e mudança interior)

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Escrito por Francisco de Santana