O Ser e o Ter sempre marcaram e marcarão a vida do ser humano na terra. O que pode alterar são conceitos, ideias e entendimentos truncados. Não podermos nos esquecer de que somos frágeis, orgulhosos, egoístas, ambiciosos, prepotentes, vaidosos, materialistas, invejosos, ciumentos, possessivos, egocêntricos, sempre pecando pelo excesso. Travamos dentro de nós uma guerra pessoal e a levamos para nosso exterior. “Essa guerra começa no egoísmo de cada um, que se corporifica na discórdia do lar e se prolonga na intolerância da fé, na vaidade da inteligência e no orgulho das raças, alimentando-se de sangue e lágrimas, violência e desespero. Tudo isso irá desaparecer quando a palavra de Jesus iluminar o coração humano, fazendo com que os habitantes da terra se amem como irmãos”. (Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita).

Estamos vivendo em constante clima de guerra vivenciados pela vitória dos vícios sobre as virtudes. A vida deixou de ser o nosso maior patrimônio. Mata-se por nada e por qualquer quantia em dinheiro. Perigoso é entrar no campo religioso no qual cada ser defende com radicalismo sua igreja e sua crença. Se todos amassem o semelhante como a si mesmo esse extremismo acabaria. Perigoso é aquele religioso que gosta de manipular as pessoas impondo pensamentos, ideologias e conceitos pessoais. A verdade está no meio e não nas extremidades.

Estamos carentes de Deus, de suas palavras de fé, paz e harmonia. Não ao fanatismo! Não ao fundamentalismo! Não ao radicalismo! Deus é amor. Deus não é religião. A religião é obra do homem. Essa guerra sem precedentes vem matando inocentes em todo o mundo. Somos carentes de lideranças pacíficas e só enxergamos maus exemplos. Ninguém se preocupa com o Ser e sim com o Ter. Ter melhores salários, melhores cargos, mais poder, mais lucros e etc.

Lembro-me de ter lido duas entrevistas com meninos de rua. Um de 13 e o outro de 15 anos. A repórter perguntou: “O que você quer ser quando crescer?” O de 13 anos foi taxativo ao responder: “Eu quero ser ladrão! Ladrão tem dinheiro, é rico, tem tudo que quer e quem trabalha passa fome”. O outro respondeu: “Eu quero ser político porque além de ladrão, trabalha pouco e é protegido pelas leis que eles mesmos fazem”.

Eles falaram isso porque estão vendo e ouvindo o que os adultos fazem. Há uma rede de mentirosos entre uma grande parte de nossos políticos. Somos cúmplices porque os elegemos e nunca cobramos seus atos. A nossa passividade é gritante. Não acreditamos que sozinhos somos fracos e que juntos somos fortes na causa que abraçarmos.

Num consultório a médica me disse: “Francisco, minha filha adora ler, escrever crônicas, contos, poemas e cismou de ser jornalista. Eu e meu marido estamos fazendo de tudo para tirar essa profissão da cabeça dela. Eu lhe disse que jornalista trabalha muito, ganha quase nada e passa fome. Eu e meu marido gostaríamos que ela seguisse a nossa profissão de médico. Conversei com uma psicóloga para convencê-la a não ser jornalista. Seja o que Deus quiser. E você, Francisco, é formado em quê?” Eu respondi: “Doutora, veja se descobre a minha profissão: trabalho muito, ganho quase nada e passo fome”.

“A vida nos ensina que o mais importante para nossa felicidade, nem sempre é o Ter e sim o Ser, uma vez que descobrimos a precariedade das coisas materiais e que tudo o que temos pode nos ser tirado a qualquer momento. Ninguém pode dizer que tem felicidade, mas pode dizer que é ou que está feliz. A felicidade não se compra, não se transfere e não se doa. As pessoas precisam parar de correr atrás do Ter e começar a correr atrás do Ser: ser amigo, ser atencioso, ser amado, ser caridoso, ser gentil, ser justo e bom... SER FELIZ!”

Pense nisso!

(Fontes: Revista A Trolha/91, Livro Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, Internet, Site Visual Dicas – Diferença de Ter e Ser de Luiz Gonzaga Ferreira).

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Escrito por Francisco de Santana