Você já assistiu ao filme Um dia de fúria estrelado por Michael Douglas, Robert Duval e Bárbara Hershey? Ele conta a história do dia de um homem estressado, dominado por problemas, desempregado, que vai ao encontro de sua ex-mulher e de sua filha, sem reconhecer que seu casamento acabara há muito tempo. No caminho, ele enfrenta um trânsito congestionado, caótico, sol forte e muita poluição. Irritadiço ele larga o carro no meio do trânsito e segue seu caminho a pé. Nesse momento, seus limites explodem e ele é acometido por um transtorno explosivo intermitente, que se caracteriza por impulsos agressivos fora de proporção gerados pelo aumento de excitação ou de tensão, muitas vezes incapacitante, que afeta não só a vida de quem sofre esse transtorno, mas também de seus familiares e pessoas de seu convívio, culminando num ato em que se sente um alívio ou gratificação.

Os exemplos de atos agressivos incluem espancar, ferir ou ameaçar verbalmente uma pessoa, sendo perceptível em várias cenas do filme como atirar em traficantes e policiais, xingar quem aparece em sua frente, destruir uma loja de conveniência devido ao preço da Coca-Cola custar 35 centavos a mais do que achava justo. E, ainda assim, o espectador se identifica com ele. No decorrer do filme, suas reações se desencadeiam em manifestações de violência, agressão física e verbal e xenofobia contra qualquer um que cruze seu caminho. Suas vítimas são representações dos objetos de seu ódio: a sociedade, a política, o ambiente em que está inserido.

Quem ainda não teve no trânsito ou em qualquer lugar o seu dia de fúria? Eles são provocados pelos inúmeros problemas da vida moderna. Basta ligar a televisão, ouvir uma emissora de rádio, redes sociais ou folhear um jornal para se deparar com documentários de violência, medo e pavor. Estamos vivendo sob o domínio do estresse que é definido como: “a soma de respostas físicas e mentais causadas por determinados estímulos externos (estressores) e que permitem ao indivíduo (humano ou animal) superar determinadas exigências do meio ambiente e o desgaste físico e mental causado por esse processo. O estresse pode ser causado pela ansiedade e pela depressão por causa da mudança brusca no estilo de vida e a exposição a um determinado ambiente, que leva a pessoa a sentir um determinado tipo de angústia”.

Vou ilustrar esse comportamento com dois casos testemunhados por mim. O carro “A” não obedeceu a placa de “Pare” e quase colidiu com o carro “B”, que acionou a buzina por longos segundos. O condutor do carro “A” abriu a janela e gritou: "Me desculpe! Me desculpe! Foi mal”. O condutor do carro “B” parou o seu e foi tirar satisfação alegando xingamentos. Ele estava tão estressado que não entendera a expressão: “Me desculpe! Me desculpe! Foi mal”. Em instantes tudo foi resolvido e cada um seguiu o seu caminho. Por pouco aquela ação não terminou em discussão, briga, agressão verbal, física ou numa tragédia.

O segundo caso foi impressionante. Fui a uma clínica de gastroenterologia buscar o resultado da minha endoscopia. Percebi que em cada cadeira assentava um estressado. Os tiques nervosos eram flagrantes: cruza o braço, descruza o braço, batida descompassada com os pés no chão, olhar perdido para o relógio a cada segundo, levanta, assenta, levanta, assenta, dá uma volta, assenta, coça a orelha, alisa os cabelos, coça o nariz, tinha até uma senhora lendo uma revista, que seria normal se a revista não estivesse de cabeça para baixo. Para amenizar a tensão do ambiente, a televisão estava ligada no programa da Ana Maria Braga. Ela ensinava como fazer um delicioso bolo de queijo e, de sobremesa, sorvete de banana com paçoca. Não sei se pela beleza do prato, muitos olhares se direcionavam para a televisão. Foi exatamente nesse momento que um senhor que estava assentado lá no fundo se levantou, perguntou à atendente onde ficava o controle do aparelho. Ela o pegou na gaveta e ele o tomou das mãos dela e, simplesmente, mudou de canal. Ficamos perplexos diante daquele ato. Fiquei com vontade de rir e saber o porquê dele fazer aquilo. Parecendo ler minha mente ele passou por mim com um semblante carrancudo e deu para ouvir o que ele disse: “Detesto essa mulher! Que voz chata, irritante! Detesto esse louro José. Eu não sabia que existia papagaio veado. Detesto esse programa, principalmente agora que estamos todos em jejum para fazer exames e eles ligam num canal onde só se fala em comida e comida”.

É como disse o psiquiatra e psicoterapeuta Carl Jung:"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”.

(Fontes: Site Psicologia; Reflexões e Práticas/Wikipédia)

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Escrito por Francisco de Santana