Naquela manhã de inverno, o sol surgiu meio ofuscado pelo nevoeiro que ainda encobria toda aquela região ao redor do monte escolhido como repetidora. No frio, a nossa equipe ainda se enroscava em suas redes por volta das 8 horas. Desde a noite anterior, alguns haviam armado a rede entre duas frondosas árvores, isso há mais de 20 dias, somente os técnicos e engenheiros, devido aos testes, dormiam na sala dos equipamentos.

Geograficamente falando, ali era o melhor ponto, com uma visada direta com obstáculo, entre Recife e Maceió, para a implantação do sistema de micro-ondas. Assim era conhecido na década de 1960 os enlaces de 300 Mhz para telefonia fixa.

Na verdade, com essa frequência se podia trabalhar com enlace de até 110 km, com 100 watts de potência nas antenas helicoidais. Os testes de campo eram que iriam indicar se o sinal era ótimo, bom ou se havia fading.

A nossa equipe era formada por dois auxiliares, dois técnicos de força, dois técnicos em telecomunicações, dois engenheiros e duas viaturas. A data de inauguração havia sido marcada para o dia 7 de setembro de 1965. Como a torre metálica ainda não estava montada, instalamos a antena numa árvore da mata atlântica de 20 metros de altura, próxima da sala dos equipamentos.

Foi muito penoso a implantação daquela repetidora, mas, na hora marcada, ao ouvirmos pelo canal de serviço: “Alô Recife... Alô Maceió...” Vibramos de alegria. Ali no meio da mata atlântica, no município de Joaquim Gomes, no estado de Alagoas.

Parabéns para os pioneiros: Dr. Marcelo G. Barroa, da CTA; Van der Linden; Valfrido; Vanildo Ricardo (Silva) da IMBELSA (Philips); e para o pessoal dedicado da CTA. Pelo mesmo sistema, trabalhei na TELERN e CTP. A partir da década de 1980, trabalhei no sistema de SHF, na TELEMAR como chefe de manutenção sênior, no agreste do estado até 1993. Em 1991, fui eleito operário padrão de Pernambuco pela Globo/Sesi, e em 1991, operário padrão Brasil, em 1992, pela Telebrás, pelo meu pioneirismo. Em 1993 aposentei-me, e agradeço por ter me filiado a SISTEL. Muito obrigado!

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Escrito por
Vanildo Ricardo Silva