Fui trabalhador na antiga Cetel/RJ na função de engenheiro desde 1971. Em agosto de 1979, participei de um retiro espiritual católico apostólico romano chamado "Cursilho de
cristandade", muito difundido pelas igrejas aqui no Rio de Janeiro naquela época. Aceitei o convite de um amigo, Antônio Irapuã, quando trabalhávamos na mesma seção de projetos de galerias de dutos para cabos subterrâneos em Irajá, na Rua Hannibal Porto, nº 450, terceiro andar.

Participei do Cursilho de cristandade apreensivo por não saber qual seria o verdadeiro sentido. Apesar de ser católico, não costumava frequentar as missas. O retiro teve início na quinta-feira à noite e terminou no domingo. Enfim, lá fui eu sem saber de nada, apenas falei com a família que estaria num retiro. Meu amigo Antônio foi me pegar em casa, o que deu mais confiança à minha mulher.

As pessoas que fizeram o Cursilho de cristandade mantêm preservadas as experiências que lá tiveram, mas sem essa de lavagem cerebral como até pensei que fosse. Passei
aqueles dias entre várias pessoas talentosas na vida católica e que eram perseverantes, inclusive algumas bem conhecidas da nossa sociedade em suas atividades profissionais. Então fui raciocinando! Por que aqueles homens estariam ali dando testemunhos incríveis de suas vidas para cinquenta homens desconhecidos de diversas áreas da sociedade? Foi um mistério! Mas fui assimilando que algo superior ao nosso entendimento estava rondando a todos aqueles em retiro. Foi então que ouvi falar do Espírito Santo de Deus!

No final, levei para casa e para o trabalho as emoções que até hoje não permiti que fosse abandonado pelo Espírito Santo! Aqui descrevo um dos momentos entre muitos que
ocorreram comigo ao pedir ajuda desse poder que vem em nosso auxílio. Numa determinada época, estávamos no trabalho com uma missão impossível de realizar devido ao tempo e porque tínhamos que projetar uma rede subterrânea para passar de um lado para outro da enorme largura de pista e justamente onde hoje o atual Pré-metrô vem de Pavuna para o centro da cidade e que estava em construção. Confesso que fiquei com a nossa equipe sem solução. A empresa de engenharia responsável pela construção da via férrea eletrificada estava a todo vapor e não poderia perder tempo conosco devido a transferência dos cabos aéreos para subterrâneos, o que deixaria milhares de assinantes/usuários com seus telefones interrompidos e sem previsão de restabelecimento.

Como ainda estava com o Cursilho de cristandade na minha mente, fui para um canto e fiquei só por alguns instantes e, sem que a minha equipe percebesse, rezei muito para que o Espírito Santo de Deus nos desse uma solução naquele momento no qual jamais seria possível devido ao tempo e o que já estava executado pela empresa de engenharia.

Quando rezei e fiquei mais calmo, porque seria um engenheiro frustrado sem dar solução naquilo que para mim era uma rotina. Pois bem, respirei fundo e sentei na nossa Kombi, fiquei olhando longe e vi uma turma da Cedae (Companhia de Água e Esgotos) reunidos há uns duzentos metros. Sem pensar muito, fui até lá a pé e me identifiquei dizendo que estava com um tremendo “abacaxi” nas mãos e não sabia como resolver. Por Deus! O responsável pela equipe da Cedae me informou que estavam ali pensando que seria uma perda deixar uma galeria antiga e desativada que passava justamente de um lado para o outro da via férrea do Pré-metrô. Aquela seria a solução divina e que tinha o diâmetro sob medida para o nosso projeto, onde poderíamos lançar os cabos num curto espaço de tempo e sem prejuízos para a nossa antiga Cetel e para os seus assinantes. Voltei para a nossa sede e informamos que a solução e mão a obra para a execução estavam garantidas.

Concluo afirmando que em muitas outras ocasiões da minha vida pessoal e profissional nunca deixarei de elevar as minhas orações a Deus, por meio do Espírito Santo, para nos
sensibilizar que não estamos sós. Agradeço ao meu amigo Antônio Irapuã que foi um instrumento na minha vida cristã ao confirmar o convite feito pelo próprio Deus, sem nenhuma vaidade!

Hoje, com 70 anos de idade, professo a minha fé em Cristo e, modestamente, participo na minha comunidade paroquial nos encontros de casais com Cristo e ainda tenho a oportunidade de tocar no ministério de música (Pasmu) com meus saxofones, soprano, alto e tenor. Portanto, o tempo de Deus é diferente do nosso em qualquer situação em que nos encontramos. Amém!

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Escrito por
Paulo Roberto Cebalho Polido