Costumávamos sair para almoçar fora aos sábados e domingos, pois é dia de descanso da cozinha. Num desses sábados do mês de junho de 2017, saímos como de costume para almoçar. Era por volta do meio-dia quando abri o portão eletrônico, tirei o carro e aguardei minha esposa. Aproveitamos e passamos no mercado após o almoço. Por volta das 14 horas retornamos para casa, meu horário tradicional de tirar uma soneca de uma a duas horas. Porém, nesse dia, resolvi ir até a área de lazer, pois íamos receber uns amigos para almoçar em casa no domingo, e fui verificar se o fogão a lenha estava em ordem.

Para meu espanto, escuto um barulho de algo se debatendo debaixo da capa da piscina e, pelo barulho e volume, não era algo pequeno. Mesmo com receio do que estava debaixo da capa, fui puxá-la para fora da piscina. Para minha surpresa, tinha um cachorro de porte médio da raça dálmata que deve ter entrado na hora que abri o portão eletrônico. Tentei chamá-lo para a borda da piscina para poder tirá-lo de lá, mas ele não me obedecia, por medo ou por estar exausto.

Fazia muito frio nesse dia, não pensei duas vezes, tirei o tênis e a carteira e entrei na piscina. Nova dúvida surgiu: será que ele não vai me morder? Só tinha uma alternativa: tirar ele da piscina para não morrer. Quando coloquei ele na borda e saí da piscina, um fato novo ocorreu, nós dois tremiam mais que varra verde. Fui tomar um banho bem quente e esperar um belo resfriado, o que não ocorreu. Minha mulher se encarregou de secá-lo, alimentá-lo e tentar localizar o dono, o que só conseguimos após as 19 horas.

Pergunto: será que foi o destino que me levou até ele no sábado?

Eu não tinha a necessidade de ir na área de lazer nesse dia, no domingo o dálmata estaria morto e, com a capa cobrindo a piscina, não tinha como vê-lo no fundo.

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Escrito por José Carlos Bruno
Ilustração: Morgan Manginelli