Minha história de vida sempre foi poetizada, porque quando entrei na TEBASA, depois TELEBAHIA, e hoje Oi, participei logo do Coral, durante sete anos. Logo então, senti o desejo de compor os poemas seguindo as ordens cronológicas. Quando nasceu minha primeira filha, Viviane, eu compus “Porta-bandeira”. Eis a letra:

Nasceu a criatura que a gente queria
O meu mundo agora não é fantasia
Minha vida de sonhos se modificou
Nasceu sem coroa, sem trono, pois não é majestade.
A sua nobreza é a felicidade
Mas, em compensação, transbordando de amor.
Mas quando crescer, na minha escola de samba irá desfilar
Enquanto eu cansado, de olhos enrugados
Assisto sentado a minha escola ganhar.

Logo em seguida, nasceu o segundo filho, Vinícius. Com o nome de poeta, eu fiz “O Aprendiz”. Eis a letra:

Quanta alegria sinto a todo momento
Apesar de ser criança, tenho sentimentos
Junto com meu velho já na boemia
Cantando os pagodes dia e noite, noite e dia
Eu gosto da vida e adoro samba
Desde pequenino é que fui criado
No meio de gente bamba
Trago no meu nome o de um grande poeta
Jeito para o samba a mim não falta não
Meu pai me deu um tamborim furado
Aprendi nele a fazer marcação

Em 2003, ganhei uma cadelinha de nome Bia, a qual não escapou dos meus poemas. Vejamos então: “Não ficou pra titia”.

Ô Bia, ô Bia
Teve filhotes, já não fica pra titia
Ô Bia, ô Bia
Teve filhotes, já não fica pra titia
Bia é uma cadelinha que todo mundo lhe quer bem
Ô Bia, ô Bia
Só faz latir, mas não morde ninguém

Aguardei então o nascimento da primeira neta, Sara Vitória. Então escrevi “Obra Divina”:

Quando Sarinha nasceu
A alegria foi geral
Aflorou em nós um amor profundo
Apenas deu um susto no hospital
Cante, Sarinha! Dance, Sarinha!
Esta menina é sapeca até demais
Cante, Sarinha! Dance, Sarinha!
Quando Deus quer, ninguém desfaz

Nasceu a segunda neta, Emily. Foi contemplada com este poema “Chamego do vovô”:

Cadê Miloca, mamãe?
Cadê Miloca, papai?
Está na igreja orando
Para o mundo ter mais paz
Esta menina sabida
Que Jesus abençoou
Ela é xodó da mamãe
E o chamego do vovô
Quando crescer, diz que vai ser
Destemida e arrojada
Vai forma-se em Direito
Pois quer ser advogada

A terceira neta, Júlia, também ganhou homenagem especial através deste poema “Onde Júlia está”:

Quem quiser ver Júlia
Que vá lá
Lá na casa de Deus
Onde Júlia foi orar
Ela está no Garcia
Em Cajazeiras, ou está em Jauá
Quem quiser ver Júlia
Que vá lá

Concluindo a minha história, escrevi este poema para Célia, minha esposa há 40 anos. Mesmo assim, os ciúmes não reduziram com o tempo, então compus a letra satírica “Dona da reclamação”.

Eu vou fingir que te amo ainda
Mas não sei até quando isso vai durar
Porque você reclama de tudo
Nosso romance está perto de acabar
Se zanga se vou para o futebol
Reclama se vê uma toalha no chão
Grita se a cadela late fora de hora
Ou se aumento o volume da televisão
Não gosta se vou com os amigos tocar
Diz que estou perdendo a noção
Porque eu toco pandeiro
E na foto estou com um violão

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Escrito por
Antonio Silvio Ferreira de Santana