Quando minha família veio para Brasília na década de 1950, primeiro veio meu marido, Anastácio. Ele não gostou muito, mas insisti e pedi que ele viesse e porque eu queria vir morar nesta nova capital. Senti um chamado para morar lá. Então, ele veio para ajeitar um lugar para nós, tivemos um desencontro e eu fui para Brasília e ele foi de volta para o Maranhão. A comunicação era muito difícil na década de 1950 no Brasil, não era como é hoje. Ele voltou desesperado para encontrar-se comigo. Na época, eu estava grávida e com quatro filhos. Fiquei abrigada na casa de uma amiga e tive que trabalhar duro para poder me manter. Eu ficava muito ansiosa sem saber se eu iria me encontrar com ele novamente. Foi somente depois de 20 dias de muito sofrimento que ele chegou e me encontrou. Brasília naquela época não era tão populosa assim como é hoje.

Ao nos encontrarmos, lembro como hoje, nós choramos muito. Pois, já estava pensando como seria minha vida sem ele, sem expectativa de trabalho, grávida, com quatro filhos e em terra ainda não conhecida por mim. Eu, Eunice, tinha 21 anos e Anastácio 30 anos de idade. Passados todos estes transtornos. Ele, muito comunicativo e determinado, decidiu arrumar algo para melhorar nossas vidas, o bebê já estava para nascer e ele, sempre responsável, tratou logo de resolver tudo isso. Começou a trabalhar para um rapaz no Núcleo Bandeirante como sapateiro e, em poucos meses, comprou um lote na antiga invasão do IAPI, localizado na cidade do Guará/DF, hoje setor de mansões IAPI. Paralelo a isso, fez uma inscrição na X, hoje conhecida como CODHAB, em 7 anos fomos contemplados com uma casa própria no Guará I/DF. A felicidade foi enorme, pois tínhamos a nossa casa definitiva, isso foi em 1969, o Anastácio ficou sabendo de um concurso público de trabalho na Cotelbel, antiga Telebrasília, Brasil Telecom, hoje conhecida como OI Telecom, então ele fez e passou e lá ele se aposentou, sendo considerado e homenageado como funcionário exemplo na década de 1980.

Desde que ele passou a ter um trabalho remunerado e fixo, nossa vida deu uma melhorada radicalmente para melhor mesmo, pois como sapateiro as coisas eram muito oscilantes e imprecisas e já tínhamos 8 filhos para educar e criar. Eu me dedicava a casa e ele ao trabalho, pais sempre presentes na educação e qualidade de vida de todos os filhos. Hoje, alguns deles são formados, outros concursados e um que tem uma organização na Inglaterra. Todos já têm família e filhos, tenho até netos e já sou bisavó! De todos, somente um faleceu por AVC em 2015, chorei muito também. O meu marido foi o primeiro em 2013, foram dois anos de muita luta. O plano de saúde e toda assistência da SISTEL foram de muita importância no processo de acolhimento e entendimento de todo o quadro clínico e de saúde dele e, atualmente, o meu também. Deixando para mim todos os benéficos depois de tantos anos de lutas e vitórias na capital do Brasil, Brasília. Chorei muito com a partida dele e até hoje, com meus 82 anos, sinto muito a falta. Nós éramos realmente almas gêmeas.

Eu te amo, Anastácio. Eu te amo.

---

Escrito por: Eunice Lima da Silva