Nasci em Belo Horizonte/MG, no dia 27 de outubro de 1945, onde vivo até o momento. Sou magra, alta, inteligente de família brasileira e italiana, tenho dupla nacionalidade, mãe brasileira e pai italiano – Helena e Paulo respectivamente. Sou uma pessoa de bem com a vida. Na minha juventude, não tive problemas para namorar, noivar ou casar, todos foram bem selecionados e o mais importante na época: mais altos do que eu. Fui filha única durante seis anos e cinco meses, quando nasceu meu único irmão Paulinho. Hoje, com 71 anos, tenho aparência de muito menos. Uma vez minha vizinha disse que eu parecia ser irmã de meus filhos. Em uma viagem que fizemos pela Itália, perguntaram se o meu filho Guilherme era meu noivo. Também já perguntaram se o meu filho Danilo era meu namorado em uma festa que fomos juntos.
Ainda me sinto com boa saúde, não tomo remédios que as pessoas idosas têm costume de tomar, apenas faço uso de um suplemento alimentar, Glucosamine Sulphate.

Quando eu estava fazendo o curso para formação em Professora de Yoga, pediram para eu ler dois livros espíritas, não me recordo o nome nem o autor, lembro-me de uma parte na qual diziam que quando as pessoas estivessem perto de falecer, receberia avisos tais como: sonhos frequentes com pessoas que já morreram, como também com pessoas que você nunca havia visto antes. Isso já está acontecendo comigo.

Consegui sozinha, desde criança, encorajar a minha mente a não contar as minhas lágrimas de dor e sofrimento e transformá-las em alegria, conhecer a beleza da alma e não do corpo físico. Na minha infância, tive todos os bens materiais que precisei, morava em uma casa muito boa e bem localizada, meu pai me dava todos os brinquedos que eu pedia e também os que eu não pedia, porém meus pais e minha avó viviam em constantes brigas, gritavam, falavam palavrões horríveis, se agrediam fisicamente na minha presença, não tinham diálogo, não existia a expressão “muito obrigada”. Chamavam-me de feia e outras coisas mais, só depois de crescida eu descobri que eu não tinha nada de feia, pelo contrário, fui até convidada para ser modelo e Miss. Eu tinha um corpo e rosto com as medidas perfeitas. Eu era e continuo sendo diferente, com 1,77m de altura, naquela época, não encontrei ninguém do sexo feminino com minha altura pelo meu caminho, mesmo hoje eu encontro muito raramente, uma pessoa da minha altura, porém pertencem a uma geração jovem. Encontrei no vestiário do Minas Tênis Clube moças, que são atletas muito mais altas do que eu, mas eram da equipe do basquete. Pela primeira vez na vida eu fiquei pequena no meio delas, me senti pequenina.

Comecei a trabalhar na Companhia Telefônica de Minas Gerais no dia 1º de março 1966, que logo depois mudou para Telecomunicações de Minas Gerais S.A. (TELEMIG), meu único emprego, lugar onde eu passei grande parte da minha vida, encontrei grandes amigos, alguns permanecem até hoje, outros já se foram para outra dimensão. Passei momentos maravilhosos nessa empresa, onde agradeço sempre à minha avó Dona Rosa, com seu sotaque italiano, pessoa que me apresentou ao Departamento Pessoal, que funcionava na Av. Alvares Cabral em um prédio ao lado da Faculdade de Direito, onde fiz um teste para iniciar o trabalho.

Existiu uma época mágica, em que ocorria a Olímpiada Operária Global. Fui convidada pela diretoria para representar a TELEMIG na prática do meu esporte favorito: a natação. Aconteceram também as Olimpíadas do Sistema TELEBRÁS, onde fiquei hospedada durante todo campeonato, foram dias inesquecíveis que passei em Brasília, nesse campeonato participaram atletas de todas Teles do Brasil.
Na TELEMIG tive o apelido de Belas Pernas e Monumento de Beleza por alguns colegas.

Virgílio e eu casamos em 1976 e estamos casados até hoje. Tivemos três filhos nascidos em 1978, 1981 e 1983. O primeiro (Guilherme), mora em Londres, já se casou três vezes, começando com uma brasileira, depois uma italiana e por último uma da República Tcheca da qual acabou de se se separar. Teve uma filha com a primeira, que hoje tem 19 anos, que já se casou e tem uma filha, moram em Londres. Portanto, já somos bisavós. Guilherme teve também um filho com a terceira mulher, que tem três anos, com 38 anos já era avô. O do meio (Danilo), foi o último a sair de casa, esperou formar aqui no Brasil, foi morar na Itália, depois morou em Londres. Danilo deu a volta ao mundo de bicicleta em três anos três meses e três dias, de onde criou um livro chamado “Homem Livre”, à venda pela internet. Durante esses três anos, toda nossa família se reunia no Natal, primeiro na Itália, segundo na Índia e terceiro nos Estados Unidos. Hoje, ele é casado, tem dois filhos, mora em São Paulo e é o que está mais perto dos pais. Minha filha caçula (Virginia) morou na Itália, estudou e se formou em Londres e hoje mora em Barcelona.

Nunca imaginei que tão cedo fosse voltar a ficar só em casa com meu marido. Nessa época, minhas amigas mais velhas do que eu ainda estavam com os filhos em casa.

Já me adaptei à nova vida. No início chorei muito, hoje estou achando ótimo, enfim neste mundo ninguém é de ninguém, nós criamos os filhos para o mundo...

Gostamos de viajar. Conhecemos quase todo Brasil viajando com a equipe principal de natação do Minas Tênis Clube. Vários atletas ainda continuam na equipe de nadadores Masters desse Clube.O pessoal é muito interessante, a idade vai de 20 anos em diante...80, 90... sem limites, é muita troca de ideias e de afinidades com diferentes idades. Nessa época, às vezes eu precisava faltar no trabalho, daí a negociação com a chefia: pagava com serviço extraordinário ou descontava nas férias. No final, dava tudo certo.

Enfim, minha família foi criada viajando, com os filhos pequenos nós éramos sócios do CCB (Camping Clube do Brasil), já acampamos pelo Brasil afora, fomos até para Argentina nesse esquema muitas viagens gastando muito pouco.

Aproveitando os Planos Color e Verão em 1995, aposentei-me antecipadamente com 49 anos, ainda com aparência de jovem. Quando fui ao Sindicato homologar meu desligamento com a TELEMIG, o funcionário que me atendeu perguntou-me se eu estava dando entrada na TELEMIG, minha resposta foi que eu estava aposentando. Depois de aposentada nunca fiquei parada olhando o tempo passar, sempre em atividade, fiz o curso de: Terapia Ortomolecular na Faculdade Newton de Paiva. Fiz o curso de formação para Professores de Yoga, dei aulas um bom tempo. Fiz prova na Federação Aquática Mineira, passei e trabalhei na arbitragem de natação. Fiz vestibular para Fisioterapia no ano 2010, na Faculdade Estácio de Sá, hoje Universidade, fiquei um pouco, mas não consegui ficar por muito tempo, tranquei a matrícula e não voltei mais. Hoje, ainda sou estudante fazendo o curso da Maturidade da Universidade Estácio de Sá, muito bom o relacionamento com alunos e professores sem compromisso de provas, frequência, é mais uma grande diversão, tem festas, viagens e outros eventos, às vezes aparece por lá algum ex-colega da TELEMIG. Quem quer aprender aprende: inglês, espanhol, teatro, novas tecnologias, vários tipos de danças, pilates, pintura, cinema, coral, informática e uma infinidade de outras matérias. Podemos escolher seis por semestre. Faço também o Curso de Valores Humanos da Escola Sri Sathya Sai Baba (Avatar Indiano).

Eu trabalhei muitos anos com economia e finanças. Quando me aposentei mudei radicalmente para área de saúde do corpo e da mente.

Gosto de doces e chocolates, quando começo a comer não quero parar.

Gosto de doar bens, mas não gosto de dividir um sorvete que eu esteja tomando, prefiro dar outro para pessoa.

Quando tenho uma meta luto até o fim e na maioria das vezes consigo.

Tenho habilidade com dinheiro, sei como usá-lo. Mesmo pouco nunca falta.

Sou sincera, mentir só se não tiver jeito.

Acho difícil perdoar, mas consigo.

Faço esforço para não criticar as pessoas. Porém, não consigo e às vezes tenho vontade de mudar as pessoas, mas cheguei à conclusão de que quem tem que mudar tem que ser a minha pessoa.

Todos que vierem até minha pessoa serão tratados com todo carinho e respeito seja lá quem for.

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Escrito por Arlete Santos Perrotti Machado