Estávamos atravessando o Central Park quando ele sentiu-se mal. O pessoal da excursão aglomerou-se ao nosso redor e num piscar de olhos uma ambulância rompia o trânsito aos berros. Logo estávamos em um hospital e o que nós tentávamos descobrir há tanto tempo e não conseguíamos foi diagnosticado em minutos. Ele estava com um nódulo na coluna, praticamente na sexta vértebra. Em meio a tanto transtorno, voltamos para casa, no Brasil, e procuramos ajuda, reforços para os nossos problemas. Já não tinha mais jeito e, em menos de dois meses, ele partiu deixando uma imensa saudade, que não tem como preencher, porque, apesar do seu jeito brusco, ele era um pai presente e uma pessoa maravilhosa. Para mim, ele era tudo que escrevo agora:

Eras o espantalho dos meus medos.
Eras o silêncio que me tranquilizava, que me afagava e me relaxava.
Eras a luz na escuridão que afugentava os meus fantasmas.
Eras o calor da presença, o muro no qual eu podia me apoiar.
Eras a água que me regava.
Deixastes-me
Com os meus medos,
Sem o silêncio que eu precisava,
Na escuridão com os meus fantasmas,
Sem o calor do muro que me apoiava,
E sem a água que me regava.
Ele era simplesmente o meu esposo: Osvaldo.

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Escrito por Sonia Maria de Jesus Pereira