A Criança que fui
Não sou mais
Essa doce criança, embalada na ilusão,
Deixei para traz.

Assim, via a vida
Sempre emoldurada.
Ao simples abrir de minha janela,
Ali estava ela, formosa e muito bela.

Tal qual, um bem produzido poema
Sempre inspirado pelo tema
E ornado com delicadas rosas
Decantado em versos e prosas.

A criança que fui
Não sou mais,
Ali, eu tinha a leitura da vida!
Já com posição aguerrida,
E um tanto atrevida
Via o então e inevitável progresso,
Jamais o retrocesso.

Não tiveste de ti, meu caro contemporâneo
Consciência plena. Hoje, no entanto,
O planeta enxuga o pranto,
Quando num simples gesto teu, lhe valeria uma nobre ação,
Nesse imenso manto.

Covardemente, delegaste ao teu próximo,
A essencial e inevitável preservação.

A criança que fui,
Não sou mais,
Forçado, entretanto,
A deixar para trás.
Pois foi assim
Que destruístes a minha janela
E, em nome de que,
Manchastes a minha linda aquarela!

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Escrito por Djalma Jaime Portela